Timed-Up and Go (TUG)
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 12/07/2024
Atualização: 19/06/2026
O que é o Teste Timed Up and Go?
O Teste Timed Up and Go (TUG) é um instrumento da avaliação geriátrica amplamente utilizado para avaliar funcionalidade, equilíbrio, velocidade de marcha e risco de quedas em idosos. Além disso, o teste é simples, rápido e pode ser aplicado em diferentes contextos clínicos, incluindo ambulatórios, hospitais, serviços de reabilitação e Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI).
O desempenho é medido pelo tempo necessário para que o indivíduo se levante de uma cadeira, caminhe três metros, realize uma mudança de direção, retorne ao ponto inicial e sente-se novamente.
Assim, de forma geral, quanto maior o tempo para completar a tarefa, maior a probabilidade de comprometimento da mobilidade e maior o risco de quedas.
História e desenvolvimento do Teste TUG
O Timed Up and Go foi desenvolvido a partir do teste Get-Up and Go, proposto por Mathias e colaboradores. Assim, no teste original, o indivíduo levantava-se de uma cadeira com apoio para os braços, caminhava três metros, retornava e sentava-se novamente. O examinador classificava o desempenho em uma escala de 1 a 5, de acordo com sua percepção do risco de quedas.
Embora útil na prática clínica, esse método apresentava importante subjetividade, especialmente nas classificações intermediárias, gerando variação entre avaliadores.
Posteriormente, Podsiadlo e Richardson propuseram a cronometragem da tarefa. Então, essa modificação tornou a avaliação mais objetiva, reprodutível e sensível para monitorar mudanças ao longo do tempo.
O que o Teste TUG avalia?
O Teste Timed Up and Go permite avaliar diferentes componentes da mobilidade funcional:
– Transferência da posição sentada para a posição em pé: avalia redução da força muscular dos membros inferiores, especialmente dos músculos extensores de quadril e joelho.
– Equilíbrio estático e dinâmico: observar instabilidade postural, oscilações excessivas e dificuldades para manter o equilíbrio.
– Velocidade de marcha: considerada um importante marcador de saúde, funcionalidade e prognóstico em idosos.
– Mudança de direção: quedas são mais propensas a ocorrer neste momento do que na caminhada em linha reta. Logo, alterações nessa etapa podem sugerir déficits de equilíbrio ou comprometimento neuromuscular
Vantagens do Teste Timed Up and Go
O TUG é rápida aplicação e fácil execução. Além disso, apresenta outras vantagens:
– Baixo custo;
– Não requer equipamentos sofisticados;
– Boa reprodutibilidade;
– Aplicável em diferentes ambientes clínicos;
– Possibilidade de acompanhamento longitudinal;
– Utilização em programas de reabilitação.
Limitações do Teste TUG
Apesar de sua ampla utilização, algumas variáveis podem influenciar o resultado:
– Altura da cadeira;
– Presença ou ausência de apoio para os braços;
– Tipo de comando fornecido;
– Características do ambiente;
– Forma de retorno à cadeira.
Assim, recomenda-se seguir rigorosamente o protocolo padronizado. Além disso, o TUG não deve ser utilizado isoladamente para avaliar risco de quedas. Logo, o resultado deve ser interpretado em conjunto com a história clínica, a avaliação funcional e outros instrumentos geriátricos.
Por fim, Barry et al. sugerem que o teste seria mais útil para identificar aqueles com alto risco para quedas do que para excluir tal risco.
Como aplicar o Teste Timed Up and Go
Materiais necessários
– Cadeira com aproximadamente 46 cm de altura;
– Apoio para os braços a cerca de 65 cm do solo;
– Cronômetro ou relógio;
– Espaço com percurso de três metros claramente demarcado.
Preparação do paciente
– O paciente deve utilizar seus calçados habituais;
– Dispositivos auxiliares de marcha devem ser mantidos, quando normalmente utilizados;
– Nenhuma assistência física deve ser oferecida durante o teste.
Procedimento
– O paciente inicia sentado na cadeira.
– Os braços permanecem apoiados nos descansos da cadeira.
– Ao comando do examinador, o paciente levanta-se.
– Caminha três metros em velocidade habitual.
– Realiza o giro.
– Retorna ao ponto inicial.
– Senta-se novamente.
Contudo, é permitido realizar uma tentativa de treinamento antes da avaliação cronometrada.
*Para facilitar a aplicação do TUG, criamos o cronômetro abaixo:
Interpretação*:
Apesar de ser um instrumento proposto há muitos anos, ainda não há definição consensual na literatura de um ponto de corte. Muitos dos trabalhos baseiam-se em autorrelato de quedas ou avaliação subjetiva do examinador. Abaixo trazemos algumas propostas interessantes para a interpretação do teste:
Podsiadlo et al. (estudo original):
10s ou menos: poderiam ser considerados independentes e sem alterações do equilíbrio;
20s ou menos: dependentes em muitas atividades de vida diária;
Acima de 20 s: dependentes em muitas atividades de vida diária e mobilidade.
Alexandre et al (coorte prospectiva – Brasil):
Ponto de corte: 12,47 segundos (sensibilidade 73,7%; especificidade 65,8%).
Bohannon (metanálise):
60 – 69 anos: até 09 segundos;
70 – 79 anos: até 10,2 segundos;
80 – 99 anos: até 12,7 segundos.
Barry et al (metanálise):
Alto risco de quedas: se 13,5 segundos ou mais (Sensibilidade 31%, Especificidade 74%).
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a mudanças funcionais ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Logo, devem ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Sugestões de leitura:
Alexandre TS, Meira DM, Rico NC, Mizuta SK. Accuracy of Timed Up and Go Test for screening risk of falls among community-dwelling elderly. Braz J Phys Ther 2012; 16(5): 381-8. https://doi.org/10.1590/s1413-35552012005000041
Andrade LCA, Costa GLA, Diogenes LGB, Pimentel PHR. Timed Up and Go test na avaliação de risco de quedas em idosos: uma revisão de literatura. Res, Societ, Develop 2021; 10(13):e321101321615. https://doi.org/10.33448/rsd-v10i13.21615
Barry E, Galvin R, Keogh C, Horgan F, Fahey T. Is the Timed-up and Go test a useful predictor of risk of falls in community dwelling older adults: a systematic review and meta-analysis. BMC Geriatr 2014; 14: 1. https://doi.org/10.1186/1471-2318-14-14
Bohannon RW. Reference values for the Timed-up and Go Test: A Descriptive Meta-Analysis. J Geriatr Phys Ther 2006; 29(2):64-68. https://doi.org/10.1519/00139143-200608000-00004
Cabral ALL. Tradução e validação do teste Timed-up and go e sua correlação com diferentes alturas da cadeira. Brasília. Dissertação [Mestrado em Gerontologia] – Universidade Católica de Brasília; 2011. https://bdtd.ucb.br:8443/jspui/handle/123456789/1145
Mathias S, Nayak US, Isaacs B. Balance in elderly patients: the “get-up and go test”. Arch Phys Med Reahabil 1986; 67(6): 387-9. https://europepmc.org/article/med/3487300/reload=0
Podsiadlo D, Richardson. The timed “Up & Go”: a test of basic functional mobility for frail elderly persons. J Am Geriatric Soc 1991; 39(2): 142-8. https://doi.org/10.1111/j.1532-5415.1991.tb01616.x
Souza CC de, Valmorbida LA, Oliveira JP, Borsatto AC, Lorenzini M, Knorst MR et al. Mobilidade funcional em idosos institucionalizados e não institucionalizados. Rev bras geriatr gerontol 2013; 16(2): 285-93. https://doi.org/10.1590/S1809-98232013000200008
