Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 16/01/2024
Atualização: 15/05/2026
O PHQ-9 é uma escala de avaliação de humor desenvolvida para identificar sintomas compatíveis com transtornos depressivos. O instrumento faz parte do conjunto de ferramentas originadas pelo projeto PRIME-MD (Primary Care Evaluation of Mental Disorders). Este, então, foi criado para facilitar o reconhecimento dos transtornos mentais mais comuns na atenção primária.
O PRIME-MD teve como objetivo avaliar cinco grupos principais de condições:
– Depressão
– Ansiedade
– Uso problemático de álcool
– Transtornos somatoformes
– Transtornos alimentares
Atualmente, o PHQ-9 é uma das ferramentas mais utilizadas para rastreamento de sintomas depressivos e monitoramento da resposta ao tratamento.
Como funciona o PHQ-9?
O questionário é composto por nove perguntas relacionadas aos sintomas apresentados pelo paciente durante as duas semanas anteriores à avaliação. Cada item recebe uma pontuação conforme a frequência dos sintomas:
– Ausente: 0 ponto
– Vários dias: 1 ponto
– Mais da metade dos dias: 2 pontos
– Quase todos os dias: 3 pontos
A soma dos itens resulta em uma pontuação final entre 0 e 27 pontos. Além disso, o instrumento também apresenta uma décima pergunta relacionada ao impacto dos sintomas na funcionalidade e na rotina do paciente. Essa questão auxilia na avaliação clínica, mas não participa do cálculo da pontuação total.
Aplicação do PHQ-9 na avaliação geriátrica
Na população idosa, o PHQ-9 apresenta importância especial devido à frequência de sintomas depressivos subdiagnosticados nessa faixa etária.
Contudo, a depressão no idoso pode apresentar manifestações diferentes das observadas em adultos jovens, incluindo:
– Redução da funcionalidade
– Isolamento social
– Alterações do sono
– Perda de interesse por atividades habituais
– Queixas cognitivas
– Piora da qualidade de vida
Logo, o PHQ-9 pode complementar a Avaliação Geriátrica Ampla, contribuindo para uma análise mais completa dos aspectos emocionais, funcionais e clínicos da pessoa idosa.
Vantagens do PHQ-9
Entre os principais benefícios do instrumento estão:
– Aplicação rápida
– Fácil compreensão pelo paciente
– Baixo custo
– Possibilidade de aplicação por profissionais treinados
– Uso em diferentes cenários: atenção básica, hospital, instituição de longa permanência
– Utilização no rastreamento e acompanhamento longitudinal
O questionário pode ser preenchido pelo próprio paciente ou aplicado durante uma consulta clínica.
Limitações do PHQ-9
Apesar de ser uma ferramenta amplamente validada, o PHQ-9 não substitui uma avaliação diagnóstica completa.
Assim, o instrumento deve ser utilizado como apoio à decisão clínica e não como único critério para estabelecer diagnóstico de depressão.
PHQ-9
Durante as duas últimas semanas com que frequência você foi incomodado/a por qualquer um dos problemas abaixo?
1. Pouco interesse ou pouco prazer em fazer as coisas
2. Se sentir “para baixo”, deprimido/a ou sem perspectiva
3. Dificuldade para pegar no sono ou permanecer dormindo, ou dormir mais do que de costume
4. Se sentir cansado/a ou com pouca energia
5. Falta de apetite ou comendo demais
6. Se sentir mal consigo mesmo/a — ou achar que você é um fracasso ou que decepcionou sua família ou você mesmo/a
7. Dificuldade para se concentrar nas coisas, como ler o jornal ou ver televisão
8. Lentidão para se movimentar ou falar, a ponto das outras pessoas perceberem? Ou o oposto – estar tão agitado/a ou irrequieto/a que você fica andando de um lado para o outro muito mais do que de costume
9. Pensar em se ferir de alguma maneira ou que seria melhor estar morto/a
Se você assinalou qualquer um dos problemas, indique o grau de dificuldade que os mesmos lhe causaram para realizar seu trabalho, tomar conta das coisas em casa ou para se relacionar com as pessoas?
Interpretação*:
O instrumento PHQ-9 (Patient Health Questionnaire) é um instrumento valioso para o rastreio de transtornos mentais, sendo importante ressaltar que o diagnóstico definitivo deve ser confirmado por critérios específicos, como os estabelecidos pelo DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) ou CID (Classificação Internacional de Doenças).
Contudo, os autores originais sugerem, em um dos trabalhos, os seguintes pontos de corte:
Zero a quatro pontos: sintomas mínimos
Cinco a nove pontos: sintomas leves
Dez a catorze pontos: Sintomas moderados
Quinze a dezenove pontos: Sintomas moderadamente graves
Vinte ou mais pontos: sintomas graves
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Assim, devem ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Perguntas frequentes:
O PHQ-9 diagnostica depressão?
Não isoladamente. O PHQ-9 auxilia no rastreamento e na avaliação da gravidade dos sintomas depressivos, mas o diagnóstico depende de avaliação clínica realizada por profissional habilitado.
O PHQ-9 pode ser aplicado em idosos?
Sim. O instrumento pode ser utilizado em idosos e contribui para identificar sintomas depressivos que podem passar despercebidos durante a avaliação clínica.
Qual é a pontuação máxima do PHQ-9?
A pontuação máxima é de 27 pontos. Valores mais elevados indicam maior intensidade dos sintomas depressivos.
Quem pode aplicar o PHQ-9?
O instrumento pode ser utilizado por profissionais da saúde treinados para avaliação clínica, acompanhamento terapêutico e monitoramento de sintomas.
Sugestões de leitura:
Fraguas Jr R, Henriques Jr SG, De Lucia MS, Iosifescu DV, Schwartz FH, Menezes PR et al. The detection of depression in medical setting: a study with PRIME-MD. J Affect Disord 2006; 91:11-7. https://doi.org/10.1016/j.jad.2005.12.003
Kroenke K, Spitzer Rl, Williams JB. The PHQ-9: validity of a brief depression severity measure. J Gen Intern Med 2001; 16(9): 606-13. https://doi.org/10.1046/j.1525-1497.2001.016009606.x
Santos IS, Tavares BF, Munhoz TN, Almeida LSP, Silva NTB, Tams BD et al. Sensibilidade e especificidade do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) entre adultos da população geral. Cad Saud Pub 2013; 29(8): 1533-1543. https://www.scielo.br/j/csp/a/w8cGvWXdk4xzLzPTwYVt3Pr/?lang=pt
Spitzer RL, Kroenke K, Williams JB. Validation and utility of a self-report version of PRIME-MD: the PHQ primary care study. Primary Care Evaluation of Mental disorders. Patient Health Questionnaire. JAMA 1999; 282(18): 1737-44. https://doi.org/10.1001/jama.282.18.1737

