Escala FAST
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 24/01/2025
Atualização: 24/03/2026
A Escala FAST (Functional Assessment Staging) é um instrumento amplamente utilizado para avaliar a funcionalidade e o comprometimento cognitivo da doença de Alzheimer. Desenvolvida na década de 1980 por Barry Reisberg e colaboradores, essa escala é especialmente útil na prática clínica geriátrica.
A principal função da escala FAST é acompanhar a progressão funcional do paciente ao longo da doença, permitindo uma avaliação mais precisa do declínio cognitivo e da perda de autonomia. Para isto, o instrumento classifica o paciente em 16 estágios funcionais:
– Estágios 1 a 5: não possuem subdivisões;
– Estágio 6: dividido em 5 subestágios;
– Estágio 7: dividido em 6 subestágios.
Essa divisão detalhada torna escala mais sensível para identificar mudanças clínicas, especialmente nas fases avançadas da doença. Além disso, o instrumento apresenta correspondência com a Escala de Deterioração Global (GDS – Global Deterioration Scale), também proposta por Reisberg. No entanto, existe uma diferença importante:
– A GDS não inclui subdivisões nos estágios mais avançados;
– A FAST detalha melhor os estágios 6 e 7
Por isso, a última evita o chamado efeito-chão, sendo considerada mais precisa para pacientes em fases avançadas da demência.
A progressão da doença de Alzheimer tende a seguir uma sequência hierárquica de estágios na Escala FAST. No entanto, variações podem ocorrer e mudanças abruptas do quadro clínico devem levantar suspeitas de:
– Diagnósticos alternativos;
– Condições associadas;
– Causas reversíveis de declínio cognitivo.
A FAST é um instrumento fácil de aplicar, rápido de administrar e independe da escolaridade. Além disso, apresenta boa correlação com o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), sendo uma ferramenta complementar na avaliação cognitiva.
Sua utilização oferece diversos benefícios para profissionais de saúde:
– Monitoramento funcional: acompanhar a evolução da perda de autonomia ao longo da doença;
– Apoio ao diagnóstico: auxilia na identificação de possíveis diagnósticos diferenciais;
– Planejamento terapêutico: contribui para decisões clínicas mais assertivas;
– Cuidados paliativos: pode servir como guia para a indicação de cuidados paliativos em fases avançadas.

Interpretação*:
A FAST é uma escala que mostra os estágios da doença de Alzheimer de forma hierarquizada, outra maneira de se interpretar o instrumento é:
FAST 1: adulto sem queixas cognitivas
FAST 2: Envelhecimento sem suspeita de Doença de Alzheimer (DA)
FAST 3: Compatível com DA incipiente
FAST 4: DA leve
FAST 5: DA moderada
FAST 6: DA moderada a grave
FAST 7: DA grave
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Referências:
Brucki SMD, Aprahamian I, Borelli WV, Silveira VC, Ferretti CEL, Smid J, et al. Manejo das demências em fase avançada: recomendações do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. Dement Neuropsychol 2022; 16 (3 suppl. 1):101-120. https://doi.org/10.1590/1980-5764-DN-2022-S107PT
Reisberg B, Ferris SH, Anand R, de Leon MJ, Schneck M, Buttinger C, et al. Functional staging of dementia of the Alzheimer’s type. Ann NY Acad of Sci 1984; 435: 481-483. https://psycnet.apa.org/doi/10.1111/j.1749-6632.1984.tb13859.x
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