Índice de Massa Corporal (IMC)
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 21/12/2024
Atualização: 25/05/2026
Índice de Massa Corporal (IMC) é um dos indicadores antropométricos mais utilizados na prática clínica. Assim, ele auxilia na avaliação do risco nutricional e na identificação de indivíduos com baixo peso, sobrepeso e obesidade.
O conceito surgiu a partir dos estudos do matemático belga Adolphe Quetelet. Criando, assim, o índice que mais tarde ficou conhecido como índice de Quetelet. Posteriormente, em 1972, Keys e colaboradores passaram a utilizar o termo Índice de Massa Corporal (IMC) após compararem diferentes fórmulas relacionadas ao peso e à altura.
O cálculo do IMC é simples: basta dividir o peso (em quilogramas) pela altura elevada ao quadrado (em metros), resultando em uma unidade de kg/m².
Logo, por ser um método não invasivo, de baixo custo e fácil aplicação, o IMC é amplamente utilizado em estudos epidemiológicos e na prática médica. Entretanto, o índice apresenta limitações importantes, especialmente na população idosa.
O envelhecimento provoca alterações significativas na composição corporal. Entre as principais mudanças estão:
– Aumento do tecido adiposo
– Redução da massa muscular
– Diminuição da estatura
– Redução da quantidade de água corporal
Dessa forma, tais alterações podem comprometer a precisão do IMC em idosos. Isso ocorre porque o índice não avalia a distribuição da gordura corporal nem diferencia massa muscular de massa gorda.
Na prática geriátrica, dois idosos podem apresentar o mesmo IMC, mas possuir composições corporais completamente diferentes. Logo, a interpretação isolada do índice pode gerar avaliações imprecisas do estado nutricional.
Outro aspecto importante é o chamado paradoxo da obesidade. Idosos classificados com sobrepeso podem apresentar menor risco de mortalidade quando comparados a indivíduos com baixo peso. Contudo, este efeito se perde caso sejam acometidos por obesidade sarcopênica. Então, há maior substituição de massa muscular por massa gorda e, consequentemente, piores desfechos. Logo, o possível fator protetor seria relacionado à massa e à função muscular, além da ausência de sarcopenia.
Assim, a obesidade sarcopênica está relacionada a:
– Maior risco de perda de funcionalidade
– Pior desempenho físico
– Aumento de hospitalizações
– Piores desfechos clínicos.
Assim, a preservação da massa e da função muscular parece ser mais importante do que a avaliação isolada do peso corporal.
Por fim, o IMC em idosos continua sendo uma ferramenta útil na prática clínica. Entretanto, suas limitações devem ser reconhecidas durante a avaliação geriátrica. Logo, a interpretação adequada do Índice de Massa Corporal exige análise conjunta da composição corporal, funcionalidade, força muscular (como força de preensão palmar) e evolução do peso ao longo do tempo. Dessa forma, é possível obter uma avaliação nutricional mais precisa e individualizada da pessoa idosa.
Índice de Massa Corporal (IMC)
Peso (kg):
Altura (m):
Interpretação*:
Ainda não há definição na literatura de como interpretar o IMC entre os idosos e quais pontos de corte a serem adotados. Assim, o critério mais utilizado é o definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), proposto para a população geral de adultos e idosos. Contudo, Lipschitz propôs valores específicos para população idosa geral. Além disso, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), através do estudo SABE (Saúde, Bem-estar e Envelhecimento), propôs cortes voltados para idosos da América e do Caribe.
Organização Mundial da Saúde (OMS):
< 18,5 kg/m2: baixo peso;
18,5 - 24,99 kg/m2: eutrofia;
25 - 29,99 kg/m2: Sobrepeso;
30 - 34,99 kg/m2: Obesidade grau I;
35 - 39,99 kg/m2: Obesidade grau II;
> 40 kg/m2: Obesidade grau III.
Lipschitz:
< 22 kg/m2: baixo peso;
22 - 27 kg/m2: eutrofia;
> 27 kg/m2: sobrepeso.
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) - Estudo SABE:
≤ 23 kg/m2: baixo peso;
>23,0; <28,0 kg/m2: eutrófico;
≥28,0 e <30,0 kg/m2: sobrepeso;
≥30,0 kg/m2: obesidade.
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento. Além disso, o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Logo, deve ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Sugestões de leitura:
Araújo TA, Oliveira IM, Silva TGV, Roediger MA, Duarte YAO. Condições de saúde e mudança de peso de idosos em dez anos do estudo SABE. Epidemiol Serv Saude 2020; 29(4): e2020102. https://doi.org/10.1590/S1679-49742020000400012
Batsis JA, Mackenzie TA, Bartels SJ, Sahakyan KR, Somers VK, Lopez-Jimenez F. Diagnostic accuracy of body mass index to identify obesity in older adults: NHANES 1999-2004. Int J Obes 2016; 40(5): 761-7. https://doi.org/10.1038/ijo.2015.243
Bray GA. Beyond BMI. Nutrients 2023; 15(10): 2254. https://doi.org/10.3390/nu15102254
Eknoyan G. Adolphe Quetelet (1796-1874) - the average man and indices of obesity. Nephrol Dial Transplant 2008; 23: 47-51. https://doi.org/10.1093/ndt/gfm517
Keys A, Fidanza F, Karvonen M, Kimura N, Taylor HL. Indices of relative weight and obesity. Int J Epidemiol 2014; 43(3): 655-665. https://doi.org/10.1093/ije/dyu058
Lipschitz DA. Screening for nutritional status in the elderly. Prim Care. 1994; 21:55-67. https://doi.org/10.1016/S0095-4543(21)00452-8
Liu C, Wong PY, Chung YL, Chow SK, Cheung WH, Law SW, Chan JCN et al. Deciphering the “obesity paradox” in the elderly: A systematic review and meta-analysis of sarcopenic obesity. Obes Rev 2023; 24 (2): e135534. https://doi.org/10.1111/obr.13534
Organização Pan-Americana de Saúde. XXXVI Reunión del Comitê Asesor de Investigaciones en Salud - Encuesta Multicêntrica - Salud Beinestar y Envejecimeiento (SABE) en América Latina e el Caribe. Informe Preliminar, 2002. https://iris.paho.org/items/7cae06bb-c610-450c-bcdd-6778458a1f87
Souza AFAS, Silva MG, Queiroz ACC, Rodrigues SM, Forjaz CLM, Silva CLA. Pontos de corte de índice de massa corporal e suas relações com doenças crônicas não transmissíveis em idosos . Rev Bras Geriatr Gerontol 2023; 26: e23054. https://doi.org/10.1590/1981-22562023026.230054.pt
Tavares EL, Santos DM, Ferreira AA, Menezes MFG. Avaliação nutricional de idosos: desafios da atualidade. Rev Bras Geriatr Gerontol 2015; 18(3): 643-650. https://doi.org/10.1590/1809-9823.2015.14249
WHO. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO Consultation (WHO Technical Report Series 894), 2003. https://iris.who.int/items/933e09aa-64f9-46e9-8dbb-78d8cddf1a3d