Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 11/10/2024
Atualização: 27/03/2026
Os cuidados paliativos são uma abordagem de cuidado integral, multidisciplinar e centrada na pessoa, com o objetivo de prevenir e aliviar o sofrimento, além de promover qualidade de vida em pessoas com doenças graves ou potencialmente ameaçadoras da vida.
Essa abordagem considera aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais do paciente. O foco principal não é apenas a quantidade de tempo vivido, mas a qualidade desse tempo, respeitando valores, preferências e objetivos individuais.
As doenças que podem indicar necessidade de cuidados paliativos geralmente apresentam impacto significativo na funcionalidade, autonomia e qualidade de vida. Podem ser:
– Agudas ou crônicas
– Progressivas ou estáveis
– Presentes em qualquer faixa etária, incluindo crianças
Cuidados paliativos não são apenas cuidados de fim de vida
Um conceito fundamental dos cuidados paliativos é que eles não devem ser restritos ao momento final da vida. Além disso, entende-se que a morte faz parte do ciclo natural da vida.
A abordagem paliativa pode ser iniciada precocemente, sempre que o paciente apresentar necessidades que possam ser beneficiadas pelo controle de sintomas, apoio emocional e planejamento do cuidado.
Os cuidados paliativos não têm como objetivo antecipar ou prolongar a morte. Dessa forma, reconhece-se a morte como parte natural do ciclo da vida e buscam evitar intervenções desproporcionais que não estejam alinhadas aos valores e objetivos do paciente.
Princípios fundamentais dos cuidados paliativos
A prevenção e o manejo de sintomas são pilares essenciais dos cuidados paliativos. Entre os sintomas frequentemente avaliados, dentre outros, estão:
– Dor
– Dispneia
– Fadiga
– Náuseas
– Ansiedade
– Alterações do humor
– Delirium
Além disso, a avaliação inclui funcionalidade, fragilidade, multimorbidade e impacto da doença na vida diária.
Cuidado individualizado e centrado na pessoa
O planejamento terapêutico deve considerar as preferências e valores de cada paciente. Pois cada pessoa possui:
– Relações familiares e sociais
– Crenças espirituais
– Metas de vida
– Experiências anteriores
– Preocupações financeiras
Por isso, os cuidados paliativos são individualizados e construídos de acordo com as necessidades de cada indivíduo.
Comunicação e tomada de decisão compartilhada
A comunicação é uma habilidade essencial nos cuidados paliativos. Logo, os profissionais devem estar preparados para abordar temas sensíveis, como prognóstico, sofrimento, mudanças funcionais e planejamento de cuidados, utilizando uma comunicação clara, empática e respeitosa.
A autonomia do paciente deve ser valorizada. Sempre que possível, as decisões são compartilhadas, considerando a capacidade de escolha e os desejos da pessoa.
Participação da família e dos cuidadores
Familiares e cuidadores fazem parte do processo de cuidado e também precisam receber suporte. Assim, a equipe deve oferecer orientação e acolhimento, especialmente durante períodos de maior vulnerabilidade e no processo de luto.
Avaliação em cuidados paliativos
A avaliação paliativa envolve diferentes dimensões do paciente, incluindo sintomas, funcionalidade, prognóstico, aspectos emocionais e necessidades familiares.
Alguns instrumentos utilizados incluem:
– Rastreio de indicação de cuidados paliativos: Palliative Care Screening Tool (PCST)
– Avaliação funcional: Karnofsky Performance Status (KPS), Eastern Cooperative Oncology Group Performance Status (ECOG PS)
– Avaliação de sintomas: Edmonton Symptom Assessment System (ESAS-r)
Essas ferramentas auxiliam a equipe multiprofissional na identificação das necessidades do paciente e no planejamento do cuidado.
Cuidados paliativos na geriatria
Na população idosa, os cuidados paliativos possuem relação próxima com a avaliação geriátrica ampla, pois consideram aspectos como:
– Funcionalidade
– Fragilidade
– Cognição
– Estado emocional
– Multimorbidade
– Uso de medicamentos
– Rede de suporte social
Essa abordagem permite um cuidado mais individualizado e alinhado às necessidades da pessoa idosa.
Conclusão
Por fim, celebra-se o dia Mundial dos Cuidados Paliativos no segundo sábado de outubro. A borboleta símbolo a borboleta, representando transformação e cuidado.
No Brasil, a política nacional de cuidados paliativos foi publicada em 07 de maio de 2024, marcando um avanço importante na organização dessa abordagem no sistema de saúde.
Perguntas frequentes:
Cuidados paliativos significam que o paciente está no fim da vida?
Não. Os cuidados paliativos podem ser iniciados em diferentes fases de uma doença grave e podem ocorrer junto aos tratamentos destinados ao controle da doença.
Quais profissionais participam dos cuidados paliativos?
A equipe pode envolver médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, assistentes sociais e outros profissionais.
Quais sintomas podem ser tratados nos cuidados paliativos?
Os principais sintomas incluem dor, falta de ar, fadiga, ansiedade, alterações do humor, náuseas e outros sintomas que causem sofrimento.
Sugestões de leitura:
Brasil, Ministério da Saúde. Manual de Cuidados Paliativos. Segunda Edição. São Paulo: Hospital Sírio Libanês; Ministério da Saúde: 2023. https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2023/manual-de-cuidados-paliativos-2a-edicao/view
Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS No. 3681, de 7 de Maio de 2024. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2024. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2024/prt3681_22_05_2024.html
Costa MF, Soares JC. Livre como uma borboleta: simbologia e cuidado paliativo. Rev Bras Geriatr Gerontol 2015; 18(3): 631-641. doi: 10.1590/1809-9823.2015.14236. https://doi.org/10.1590/1809-9823.2015.14236
International Association for Hospice & Palliative Care (IAHPC). Palliative Care Definition. IAHPC [Internet]. Disponível em: https://hospicecare.com/what-we-do/projects/consensus-based-definition-of-palliative-care/definition.
Radbruch L, Lima L, Knaul F, Wenk R, Ali Z, Bhatnaghar S et al. Redefining Palliative Care – A New Consensus-Based Definition. J Pain Symptom Manage 2020; 60(4): 754-764. https://doi.org/10.1016/j.jpainsymman.2020.04.027

