Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 28/03/2025
Atualização: 22/05/2026
A área de superfície corporal representa uma estimativa da superfície externa do corpo humano. Como a medição direta é pouco prática na rotina clínica, foram desenvolvidas diversas equações que estimam a ASC a partir de medidas antropométricas, principalmente peso e altura. A ASC é expressa em m².
Ao longo dos séculos XIX, XX e XXI, foram propostas mais de 40 fórmulas para estimar a superfície corporal. Elas foram desenvolvidas a partir de diferentes populações e métodos de medição. Por isso, os resultados podem apresentar pequenas diferenças entre as equações.
A equação de Meeh, publicada em 1879, é descrita na literatura como a primeira equação desenvolvida para estimar a superfície corporal e utilizava o peso como variável. Posteriormente, outras fórmulas passaram a incorporar também a altura.
Para que serve a área de superfície corporal?
A ASC pode ser utilizada em diferentes contextos na área da saúde. Entre as principais aplicações estão:
– Cálculo de doses de alguns medicamentos
– Oncologia: Cálculo de doses de quimioterápicos e planejamento de radioterapia
– Nefrologia: Avaliação e normalização de parâmetros da função renal
– Cardiologia: Cálculo do índice cardíaco
– Nutrição: Avaliação da composição corporal e estimativas metabólicas
– Terapia intensiva: auxiliar em cálculos relacionados à oxigenação extracorpórea (ECMO) e em outras estimativas fisiológicas
– Avaliação de candidatos a transplante
A utilização da ASC depende do contexto clínico e do parâmetro que está sendo calculado. Portanto, a ASC não deve ser interpretada isoladamente.
Como calcular a área de superfície corporal?
As diferentes fórmulas existentes demonstram a dificuldade em estabelecer um único método ideal para estimar a ASC. Uma das mais antigas foi proposta pelos Du Bois em 1916 e serviu de inspiração para diversas outras que surgiram posteriormente: uso de um fator de uma constante (C) multiplicada pelo peso e a altura, e cada um deles ajustado de forma exponencial, por outra variável.
Por outro lado, uma variação desse modelo foi proposta por Mosteller et al., na qual se emprega a raiz quadrada da divisão em que o numerador é o peso multiplicado pela altura e o denominador é a constante de 3600. Logo, tal proposta foi a simplificação da fórmula, proposta por Gehan e George em 1970, que utiliza o padrão clássico. Assim, esta adaptação teve o intuito de facilitar o cálculo durante a prática clínica utilizando uma calculadora comum.
Embora já existam dispositivos eletrônicos capazes de realizar escaneamento corporal em três dimensões e calcular a área de superfície corporal de forma mais precisa, utiliza-se amplamente as fórmulas para ASC.
Qual fórmula de ASC utilizar?
Não existe uma única fórmula universalmente superior para todos os pacientes e situações clínicas. Além disso, o desenvolvimento foi a partir de diferentes populações e métodos. Por isso, os resultados podem variar entre elas.
A fórmula de Mosteller apresenta a vantagem de ser simples e fácil de calcular. As fórmulas de Du Bois e Haycock utilizam equações exponenciais mais complexas, mas também são amplamente conhecidas e utilizadas.
A escolha da fórmula deve considerar o contexto clínico, o medicamento ou parâmetro que está sendo calculado e o protocolo utilizado. Quando houver um protocolo específico para determinado medicamento ou procedimento, deve-se seguir a metodologia recomendada para aquela aplicação.
Por que a ASC é indexada para 1,73 m²?
O valor de 1,73 m² é uma superfície corporal de referência utilizada historicamente para indexar alguns parâmetros fisiológicos, especialmente a função renal. Contudo, esse valor foi proposto por McIntosh e colaboradores em 1928, com base em dados populacionais de adultos jovens dos Estados Unidos. Embora existam críticas quanto à utilização universal desse valor em diferentes populações, a padronização facilita a comparação entre estudos e aplicações clínicas realizadas em locais e períodos distintos.
Limitações das fórmulas de área de superfície corporal
As fórmulas de ASC são estimativas, e não medições diretas. Entre suas principais limitações estão:
– Diferentes fórmulas podem produzir resultados ligeiramente diferentes
– Algumas equações tem origem a partir de populações relativamente pequenas
– A composição corporal não é totalmente representada por peso e altura
– Pessoas com obesidade, baixo peso ou características corporais extremas podem apresentar maior diferença entre a ASC estimada pelas diferentes equações
– A adequação de determinada fórmula depende do contexto clínico.
Por fim, nesta página, disponibilizamos uma calculadora de ASC com as fórmulas de Mosteller, Du Bois e Haycock, frequentemente utilizadas em diferentes cenários clínicos.
Área de Superfície Corporal
Interpretação*:
O cálculo da ASC não apresenta pontos de corte específicos, mas adoção de seus valores em diferentes contextos clínicos.
Então, ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Logo, a interpretação será sob a luz de julgamento clínico
Perguntas frequentes:
O que significa ASC?
A área de superfície corporal (ASC) é uma estimativa da superfície externa do corpo, expressa em metros quadrados (m²).
Como calcular a área de superfície corporal?
Através de diferentes fórmulas matemáticas que utilizam peso e altura. Entre as mais conhecidas estão as fórmulas de Mosteller, Du Bois e Haycock.
Qual fórmula de área de superfície corporal devo utilizar?
Não existe uma fórmula única indicada para todas as situações. A escolha depende do contexto clínico, da finalidade do cálculo e, em algumas situações, do protocolo utilizado. As fórmulas de Mosteller, Du Bois e Haycock podem apresentar pequenas diferenças nos resultados.
Para que serve a área de superfície corporal?
Utiliza-se a ASC em diferentes contextos clínicos, incluindo cálculo de doses de alguns medicamentos, oncologia, normalização de parâmetros da função renal, indexação de parâmetros hemodinâmicos e outras estimativas fisiológicas. A interpretação e a aplicação do resultado devem considerar o contexto clínico específico.
Sugestões de leitura:
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McIntosh JF, Möller E, van Slyke DD. Studies of Urea Excretion. III. The Influence of Body Size on Urea Output. J Clin Invest 1928; 6(3): 467-83. https://doi.org/10.1172/jci100207
Mosteller RD. Simplified calculation of body-surface area. N Engl J Med 1987; 317(17): 1098. https://doi.org/10.1056/nejm198710223171717
Redlarski G, Palkowski A, Krawczuk M. Body surface area: an alarming ambiguity. Sci Rep 2016; 6: 27966. https://doi.org/10.1038/srep27966
Redlarski G, Koziel S, Krawczuk M, Siebert J, Tałałaj M, Pałkowski, et al. An improvement of body surface area formulas using the 3D scanning technique. Int J Occup Med Environ Health 2024; 37(2): 205-219. https://doi.org/10.13075/ijomeh.1896.02356

