Escala ECOG
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 23/10/2024
Atualização: 08/04/2026
A Escala ECOG (Eastern Cooperative Oncology Group) é um instrumento amplamente utilizado para avaliar funcionalidade de pacientes oncológicos e em cuidados paliativos. Criada em 1960 sob a liderança do Dr. C. G. Zubrod, a escala também é conhecida como Escala de Zubrod ou Performance Status da OMS (WHO PS).
A Eastern Cooperative Oncology Group foi fundada em 1955 e, desde então, desenvolve protocolos relacionados ao tratamento oncológico, manejo de sintomas, uso de exames complementares e avaliação de toxicidade.
Inicialmente, a Escala ECOG classificava os pacientes em cinco níveis de funcionalidade. Posteriormente, em 1982, foi proposto um sexto nível, ampliando sua aplicabilidade clínica. Ademais, desde 1979, a Organização Mundial da saúde adotou este instrumento, o que contribuiu para sua ampla disseminação.
A Escala ECOG foi derivada da Escala de Performance de Karnofsky (KPS), outro instrumento clássico na avaliação funcional em oncologia.
A literatura mostra que não há superioridade clara entre as duas escalas. Por isso, são frequentemente consideradas intercambiáveis na prática clínica. No entanto, a Escala ECOG apresenta algumas vantagens:
– É mais simples e fácil de memorizar
– Permite aplicação rápida à beira do leito
– Facilita a comunicação entre profissionais
Por outro lado, a ECOG pode subestimar a capacidade funcional em pacientes com doença avançada, especialmente quando comparada à KPS.
A Escala ECOG é útil principalmente para:
– Avaliação prognóstica em pacientes oncológicos
– Monitoramento da resposta ao tratamento
– Estimativa do risco de toxicidade
– Apoio na tomada de decisão terapêutica
Assim como outras ferramentas de avaliação funcional, seu uso é essencial na prática clínica e na pesquisa em oncologia.
Por fim, A aplicação da Escala ECOG baseia-se exclusivamente em dados clínicos obtidos por meio da anamnese do paciente. Embora utilize critérios objetivos, como o tempo em que o paciente permanece ativo ou acamado, essas informações nem sempre são precisas. Assim, pode gerar variações na classificação entre diferentes avaliadores.
Atualmente, estudos vêm explorando o uso de dispositivos tecnológicos para medir de forma mais objetiva o nível de atividade física, o que pode aumentar a precisão da avaliação funcional.

Interpretação*:
O instrumento é autoexplicativo. Muitas vezes a ECOG serve como parâmetro adicional para avaliar risco de terapia mais agressiva, conforme demonstrado abaixo. Contudo, não deve pode ser o fator único de decisão para a escolha terapêutica.
ECOG 0 e 1 – Maior tendência à terapia curativa, em pacientes oncológicos;
ECOG 2 ou mais – Maior tendência à terapia paliativa.
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Por isso, devem ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Referências:
Oken MM, Creech RH, Tomey DC, Horton J, Davis TE, McFadden ET et al. Toxicity and response criteria of the Eastern Cooperative Oncology Group. Am J Clin Oncol 1982; 5(6): 649-55. https://doi.org/10.1097/00000421-198212000-00014
Péus D, Newcomb N, Hofer S. Appraisal of the Karnofsky Performance Status and proposal of a simple algorithmic system for its evaluation. BMC Med Inform Decis Mak 2013; 13:72. https://doi.org/10.1186/1472-6947-13-72.
Scott JM, Stene G, Edvarsen E, Jones LW. Performance status in cancer: not broken, but time for an upgrade? J Clin Oncol 2020; 38(25): 2824-2829. https://doi.org/10.1200/JCO.20.00721.
Sok M, Zavrl M, Greif B, Srpcic M. Objective assessment of WHO/ECOG performance status. Support Care Cancer 2019; 27(10): 3793-3798. https://doi.org/10.1007/s00520-018-4597-z.
Taylor AE, Olver IN, Sivanthan T, Chi M, Purnell C. Observer error in grading performance status in cancer patients. Support Care Cancer 1999; 7(5): 332-5. https://doi.org/10.1007/s005200050271.
West HJ, Jin JO. Performance Status in Patients with Cancer. JAMA Oncol 2015; 1(7): 998. https://doi.org/10.1001/jamaoncol.2015.3113.
World Health Organization. WHO Handbook for reporting results of cancer treatment. Geneva: WHO; 1979. 46p.
Zubrod CG, Schneiderman M, Frei III E, Brindley C, Gold GL, Shnider B et al. Appraisal of methods for the study of chemotherapy of cancer in man: comparative therapeutical trial of nitrogen mustard and triethylene thiophosphoramide. J Chronic Dis 1960; 11: 7-33. https://doi.org/10.1016/0021-9681(60)90137-5