Fragilidade
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 31/05/2024
Atualização: 30/04/2026
A fragilidade em idosos é uma condição clínica caracterizada pela redução da reserva funcional em múltiplos sistemas fisiológicos. Além disso, trata-se de um fenômeno multidimensional, associado à diminuição da capacidade de resposta a situações de estresse orgânico.
Então, essa menor capacidade adaptativa está diretamente relacionada a desfechos adversos, como aumento da mortalidade, hospitalizações e risco de quedas.
Em 2001, dois modelos fundamentais foram propostos para a classificação da síndrome da fragilidade: fenótipo físico e índice de fragilidade.
O modelo desenvolvido por Linda Fried define a fragilidade como um fenótipo físico. A identificação se baseia em cinco critérios clínicos:
– Perda de peso não intencional
– Exaustão
– Redução da força muscular
– Baixa velocidade de marcha
– Baixo nível de atividade física
A presença de três ou mais critérios classifica o idoso como frágil.
Por outro lado, outra abordagem importante foi proposta por Kenneth Rockwood e Arnold Mitnitski. Nesse modelo, define-se fragilidade com base no acúmulo de déficits, incluindo:
– Doenças
– Sintomas
– Sinais clínicos
– Perdas de funcionalidade
A classificação depende da soma desses déficits, resultando em um índice contínuo de fragilidade.
Desde essas propostas iniciais, desenvolveram-se diversos instrumentos para a avaliação da fragilidade em idosos como o FRAIL e a escala clínica de fragilidade (clinical frailty scale). No entanto, ainda não há consenso sobre qual método é melhor para a prática clínica.
Contudo, essa diversidade de instrumentos contribui para a grande variação na prevalência da fragilidade, que pode variar entre 4% e 59%, dependendo da população estudada.
A fragilidade é mais prevalente em:
– Mulheres
– Idosos longevos
– Indivíduos com baixa escolaridade e renda
– Minorias étnicas
Por isso, esses fatores devem ser considerados durante a avaliação clínica e no planejamento de intervenções. Outros fatores de risco podem ser vistos na figura.
Embora a fragilidade em idosos seja mais comum com o avanço da idade, ela não é uma consequência inevitável do envelhecimento. A condição apresenta um curso flutuante e pode variar ao longo do tempo. Além disso, a fragilidade é potencialmente prevenível e tratável, especialmente quando identificada precocemente.

Sugestões de leitura:
Fried LP, Tangen CM, Walston J, et al. Frailty in older adults: evidence for a phenotype. J Gerontol A Biol Sci Med Sci 2001; 56: 146–56. https://doi.org/10.1093/gerona/56.3.m146
Hoogendijk EO, Afilalo J, Ensrud KE at al. Frailty: implications for clinical practice and public health. Lancet 2019; 394(10206): 1365-1375. https://doi.org/10.1016/s0140-6736(19)31786-6
Mitnitski AB, Mogilner AJ, Rockwood K. Accumulation of deficits as a proxy measure of aging. Sci World J 2001; 1: 323–36. https://doi.org/10.1100/tsw.2001.58