Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 16/01/2024
Atualização: 15/05/2026
A GDS15 (Geriatric Depression Scale), também conhecida como Escala de Depressão Geriátrica ou Escala de Yesavage, é um instrumento validado para o rastreamento de sintomas humor em pessoas idosas. Desenvolvida especificamente para essa população, a escala avalia aspectos emocionais e cognitivos frequentemente associados à depressão, utilizando perguntas simples com respostas dicotômicas (“sim” ou “não”). Além disso, é amplamente utilizada no contexto de avaliação geriátrica ampla (AGA).
A GDS15 é amplamente utilizada na prática clínica por sua facilidade de aplicação, rapidez e boa acurácia para identificar idosos que podem apresentar sintomas depressivos. No entanto, trata-se de um instrumento de rastreamento, e não de diagnóstico. Dessa forma, resultados sugestivos de depressão devem ser complementados por avaliação clínica detalhada.
Para que serve a GDS15?
A GDS15 tem como objetivo identificar precocemente sintomas sugestivos de depressão em pessoas idosas. Assim, entre os principais aspectos avaliados estão:
– Tristeza
– Irritabilidade
– Falta de energia
– Desânimo
– Alterações da cognição
– Perda de interesse pelas atividades diárias.
A identificação precoce desses sintomas permite direcionar a investigação clínica e favorecer intervenções oportunas. Logo, contribuindo para a qualidade de vida e a funcionalidade da pessoa idosa.
Como surgiu a GDS15?
A versão original da escala, denominada GDS30, foi desenvolvida por Yesavage e colaboradores e era composta por 30 perguntas com respostas “sim” ou “não”. Cada resposta recebe pontuação de zero ou um ponto. Em algumas questões, a resposta afirmativa indica sintomas depressivos, enquanto, em outras, a resposta negativa é a que sugere maior probabilidade de depressão.
Posteriormente, foram desenvolvidas versões abreviadas contendo uma, duas, quatro, dez, quinze e vinte perguntas. Então, a GDS15 tornou-se a versão reduzida mais utilizada, por reunir as 15 questões com maior capacidade de discriminar sintomas depressivos presentes na versão original.
Em quais contextos a GDS15 pode ser utilizada?
A GDS15 foi validada em diferentes cenários assistenciais, incluindo:
– Atenção Primária à Saúde: consultas ambulatoriais e acompanhamento longitudinal
– Ambulatórios especializados: serviços de geriatria, psiquiatria e outras especialidades
– Hospitais: rastreamento de sintomas depressivos durante a internação
– Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI): avaliação de idosos institucionalizados
Assim, sua ampla aplicabilidade contribui para a identificação precoce de sintomas depressivos em diferentes contextos do cuidado à pessoa idosa.
Quais são as vantagens da GDS15?
A GDS15 apresenta diversas características que favorecem sua utilização na prática clínica:
– Aplicação rápida, geralmente em cerca de cinco minutos
– Fácil compreensão para a maioria das pessoas idosas
– Perguntas objetivas e de simples resposta
– Boa aplicabilidade em diferentes níveis de atenção à saúde
– Desempenho semelhante ao da GDS30 para o rastreamento de sintomas depressivos.
Limitações da GDS15
A aplicação da GDS15 depende da capacidade do paciente de compreender as perguntas e responder adequadamente durante a entrevista. Por esse motivo, o instrumento apresenta desempenho reduzido em idosos com demência moderada ou grave, especialmente quando há comprometimento significativo da compreensão, da memória ou da comunicação. Assim, nestes casos, sugere-se a adoção da escala de Cornell.
Além disso, a GDS15 não substitui a avaliação clínica nem confirma o diagnóstico de depressão. Logo, seus resultados devem sempre ser interpretados em conjunto com a história clínica, o exame físico e outras avaliações cognitivas e funcionais, quando indicadas.
Escala de Depressão Geriátrica (GDS15)
Escolha a melhor resposta de como se sentiu na última semana:
1. Você está basicamente satisfeito com sua vida?
2. Você deixou muitos de seus interesses e atividades?
3. Você sente que sua vida está vazia?
4. Você se aborrece com frequência?
5. Você se sente de bom humor a maior parte do tempo?
6. Você tem medo que algum mal vá lhe acontecer?
7. Você se sente feliz a maior parte do tempo?
8. Você sente que sua situação não tem saída?
9. Você prefere ficar em casa a sair e fazer coisas novas?
10. Você se sente com mais problemas de memória do que a maioria?
11. Você acha maravilhoso estar vivo?
12. Você se sente um inútil nas atuais circunstâncias?
13. Você se sente cheio de energia?
14. Você acha que sua situação é sem esperança?
15. Você sente que a maioria das pessoas está melhor que você?
Interpretação*:
A GDS15 é um instrumento valioso para o rastreio de transtornos mentais, sendo importante ressaltar que o diagnóstico definitivo deve ser confirmado por critérios específicos, como os estabelecidos pelo DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) ou CID (Classificação Internacional de Doenças).
Almeida & Almeida (1999) sugerem os seguintes pontos de corte:
Zero a quatro pontos: ausência de sintomas depressivos clinicamente relevantes
Cinco a sete pontos: sintomas leves
Oito a nove pontos: sintomas moderados
Dez ou mais pontos: sintomas graves
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Logo, devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico.
Perguntas frequentes:
O que é a GDS15?
É uma escala validada para rastreamento de sintomas depressivos em pessoas idosas.
A GDS15 confirma o diagnóstico de depressão?
Não. A GDS15 é um instrumento de rastreamento. Assim, o diagnóstico deve ser realizado por avaliação clínica completa.
Quem pode aplicar a GDS15?
Profissionais de saúde treinados, como médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais envolvidos no cuidado da pessoa idosa.
Quanto tempo leva para aplicar?
Em média cinco minutos.
A GDS15 pode ser aplicada em pessoas com demência?
Seu desempenho é reduzido em indivíduos com demência moderada ou grave, devido ao comprometimento da compreensão e da comunicação.
Sugestões de leitura:
Almeida OP, Almeida SA. Confiabilidade da versão brasileira da escala de depressão em geriatria (GDS) versão reduzida. Arq Neuropsiquiatr 1999; 57 (2-B): 421-426. https://doi.org/10.1590/S0004-282X1999000300013
Almeida OP, Almeida SA. Short versions of the geriatric depression scale: a study of their validity for the diagnosis of a major depressive episode according to ICD-10 and DSM-IV. Int J Geriatr Psychiatry 1999. 14(10): 858-865. https://doi.org/10.1002/(sici)1099-1166(199910)14:10%3C858::aid-gps35%3E3.0.co;2-8
Yesafage JA, Brink TL, Rose TL, Lum O, Huang V, Adey M et al. Development and validation of a geriatric depression screening scale: a preliminary report. J Psychiatr Res 1982; 17(1): 37-49. https://doi.org/10.1016/0022-3956(82)90033-4
Yesafage JA, Sheikh JI. 9/Geriatric Depression Scale (GDS): Recent evidence and Development of a Shorter Version. Clin Gerontol 1986; 5(1-2): 165-173. https://doi.org/10.1300/J018v05n01_09

