Distúrbios do movimento e Síndromes Parkinsonianas
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 07/10/2024
Atualização: 10/04/2026
Os distúrbios do movimento correspondem a um grupo heterogêneo de doenças neurológicas que afetam a movimentação do indivíduo. Assim, essas alterações são classificadas em dois grandes grupos: hipercinéticas e hipocinéticas. Compreender essas condições é fundamental para profissionais e estudantes da saúde, especialmente na avaliação do idoso.
Os distúrbios hipercinéticos caracterizam-se pelo excesso de movimentos involuntários, frequentemente anormais e de difícil controle. Esses movimentos podem ser classificados conforme suas características clínicas, como ritmicidade, velocidade e duração. Entre os principais, destacam-se:
– Tremor
– Coreia
– Distonia
– Mioclonia
– Tiques
– Hemibalismo
– Atetose
Por outro lado, os distúrbios hipocinéticos apresentam redução e lentificação dos movimentos. A principal condição desse grupo é a doença de Parkinson, que representa a causa mais comum de parkinsonismo.
A doença de Parkinson foi descrita em 1817 por James Parkinson, a partir da observação de pacientes com características motoras semelhantes. Na descrição original, denominada paralisia agitante, destacavam-se sintomas como:
– Tremor em repouso
– Alterações na marcha (festinação)
– Postura encurvada
O diagnóstico da doença de Parkinson é essencialmente clínico e requer:
– Bradicinesia (obrigatória)
Associada a pelo menos um dos seguintes: Tremor de repouso ou rigidez muscular
Além disso, os quadros parkinsonianos também apresentam fenômenos não motores como alterações cognitivas, disfagia, quedas, instabilidade postural (podendo ser avaliado pelo Pull Test), incontinência, constipação etc.
Atualmente, sabe-se que a doença é uma alfassinucleinopatia, caracterizada pela degeneração de neurônios dopaminérgicos na substância negra. Contudo, esta lesão pode progredir para diferentes áreas do encéfalo, com diversas apresentações clínicas diferentes. Classicamente utilizou-se a escala de Hoehn e Yahr para avaliar a progressão da doença.
As síndromes parkinsonianas englobam condições que apresentam sinais semelhantes à doença de Parkinson, mas com diferentes causas e mecanismos fisiopatológicos.
Essas síndromes são importantes no contexto da avaliação geriátrica, pois impactam diretamente a funcionalidade do idoso.
As síndromes parkinsonianas podem ser classificadas em parkinsonismos secundário ou atípico.
Dentre as causas de parkinsonismo secundário destacam-se: induzido por medicamentos, origem vascular.
Já entre os parkinsonismos atípicos há os quadros neurodegenerativos (como atrofia de múltiplos sistemas, paralisia supranuclear progressiva, degeneração córtico-basal, demência por corpúsculos de Lewy) e os quadros heredodegenerativos (doença de Wilson, doença de Huntington, ataxias espinocerebelares).
Sugestões de leitura:
Berrios GE. Introdução à “Paralisia Agitante”, de James Parkinson (1817). Rev Latinoam Psicopat Fund São Paulo 2016; 19(1): 114-121. https://doi.org/10.1590/1415-4714.2016v19n1p114.9
Munhoz RP, Tumas V, Pedroso JL etc. The clinical diagnosis of Parkinson’s disease. Arq Neuropsiquiatr 2024; 82(6): 1-10. https://doi.org/10.1055/s-0043-1777775
Parkinson J. An essay on the shaking palsy. 1817. J Neuropsychiatry Clin Neurosci 2022; 14(2): 223-36. https://doi.org/10.1176/jnp.14.2.223