G8 modificado (mG8)
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 28/02/2025
Atualização: 08/06/2026
O que é o mG8?
O mG8 (Modified G8) é um instrumento de rastreamento geriátrico desenvolvido para identificar idosos com câncer que apresentam maior risco de vulnerabilidade clínica. Então, que também podem se beneficiar de Avaliação Geriátrica Ampla (AGA).
Esta avaliação é recomendada para todos os pacientes idosos diagnosticados com câncer. Entretanto, a aplicação completa dos instrumentos que compõem a AGA pode ser difícil na prática clínica devido ao tempo necessário para uma análise multidimensional.
Logo, foram desenvolvidas ferramentas de rastreamento capazes de identificar rapidamente os pacientes com maior probabilidade de apresentar déficits geriátricos relevantes. Assim, o G8 é um dos instrumentos mais utilizados na oncogeriatria.
Embora apresente elevada sensibilidade, o G8 original possui especificidade moderada. Então, para aumentar a acurácia do rastreamento, foi desenvolvido o Modified G8 (mG8), uma versão simplificada e mais específica.
Quais domínios são avaliados pelo mG8?
O mG8 avalia aspectos frequentemente investigados na rotina clínica do idoso:
– Estado nutricional
– Cognição
– Humor
– Mobilidade e funcionalidade
– Polifarmácia
– Autopercepção de saúde
– Performance Status (ECOG)
– Doença cardiovascular prévia (insuficiência cardíaca ou doença arterial coronariana)
Dessa forma, a principal diferença em relação ao G8 original é a utilização de menos variáveis e um ponto de corte mais rigoroso para polifarmácia, considerando o uso de mais de seis medicamentos por dia.
Como interpretar a pontuação do mG8?
Sua pontuação total varia de 0 a 35 pontos. Logo, pontuações mais elevadas estão associadas a pior prognóstico e menor sobrevida, incluindo mortalidade em: 06 meses, 01 ano e 03 anos.
Um resultado de 6 pontos ou mais já é considerado um rastreamento positivo e sugere maior vulnerabilidade geriátrica.
Vantagens do mG8
Por fim, as principais vantagens do Modified G8 incluem:
– Aplicação rápida (poucos minutos)
– Menor número de variáveis
– Maior especificidade em relação ao G8 original
– Boa capacidade de identificar idosos vulneráveis
– Utilização em diferentes tipos de câncer, incluindo tumores sólidos e neoplasias hematológicas.
G8 modificado (mG8)
1. Perda de peso nos últimos 3 meses?
2. Problemas neuropsicológicos?
3. Faz uso de mais de seis medicações ao dia?
4. Em comparação a outras pessoas da mesma idade, como o paciente considera a sua saúde?
5. Performance Status (PS)?
6. Histórico de insuficiência cardíaca ou doença arterial coronariana?
Interpretação*:
A interpretação para o mG8, proposta pelos seus autores, é:
06 pontos ou mais: considerar realizar Avaliação Geriátrica completa
Salienta-se que a avaliação seriada é mais crucial do que uma única aplicação pontual do instrumento. Além disso, destaca-se a possibilidade de variação de resultados entre examinadores.
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico.
Sugestões de leitura:
Camara DB, Lima JTO, Bezerra MR, Sales DF, Cavalcanti ZR, Sales LT, et al. Prognostic performance of the modified-G8 screening instrument for patients aged 60 years or older: A prospective cohort of 889 brazilian patients. J Geriatr Oncol 2020; 11(3): 533-535. https://doi.org/10.1016/j.jgo.2019.10.021
Martinez-Tapia C, Canoui-Poitrine F, Bastuji-Garin S, Souberyan P, Mathoulin-Pelissier S, Tournigand C, et al. Optimizing the G8 Screening Tool for Older Patients With Cancer: Diagnostic Performance and Validation of a Six-Item Version. Oncologist 2016; 21(2): 188-95. https://doi.org/10.1634/theoncologist.2015-0326
Martinez-Tapia C, Paillaud E, Liuu E, Tournigand C, Ibrahim R, Fossey-Diaz V, et al. Prognostic value of the G8 and modified-G8 screening tools for multidimensional health problems in older patients with cancer. Eur J Cancer 2017; 83: 211-219. https://doi.org/10.1016/j.ejca.2017.06.027
