Escala ECOG
A Eastern Cooperative Oncology Group (ECOG) foi criada em 1955 e, desde então, desenvolveu inúmeros protocolos relacionados ao tratamento oncológico, manejo de sintomas, uso de exames complementares e avaliação de toxicidade. Em 1960, sob a liderança do Dr. C. G. Zubrod, a ECOG propôs um instrumento de avaliação funcional voltado para pacientes com câncer, o que deu origem à chamada Escala de Zubrod ou escala ECOG. Derivada da Escala de Performance de Karnofsky (KPS), a ECOG inicialmente classificava os pacientes em cinco estágios. Pelo menos desde 1979, a avaliação tem sido adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo, por isso, também conhecida como World Health Organization Performance Status (WHO PS). Em 1982, Oken et al. propuseram a inclusão de um sexto item na escala.
A literatura apresenta divergências ao comparar a KPS com a ECOG, sem uma superioridade evidente entre os dois instrumentos, o que torna ambos intercambiáveis em muitos casos. No entanto, a ECOG é vista como mais simples, sendo mais fácil de memorizar pelos profissionais, além de ser aplicada de forma rápida. Ainda assim, pode subestimar a performance funcional em estágios mais avançados da doença. Tal como a KPS, a ECOG é amplamente utilizada na avaliação prognóstica, na resposta ao tratamento e na avaliação do risco de toxicidade.
A ECOG baseia-se exclusivamente em dados clínicos obtidos por meio da anamnese do paciente. Embora utilize critérios objetivos em relação ao tempo de inatividade física, esses dados nem sempre são claros. Por isso, já existem estudos na literatura que incorporam o uso de dispositivos para uma avaliação mais precisa do grau de atividade física dos pacientes.

Interpretação*:
O instrumento é autoexplicativo. Muitas vezes a ECOG é utilizada como parâmetro adicional para avaliar risco de terapia mais agressiva, conforme demonstrado abaixo. Contudo, não deve ser utilizada como fator único de decisão para a escolha terapêutica.
ECOG 0 e 1 – Maior tendência a terapia curativa, em pacientes oncológicos;
ECOG 2 ou mais – Maior tendência de terapia paliativa.
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Referências:
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