Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 25/06/2024
Atualização: 14/06/2026
O que são quedas em idosos?
A queda pode ser definida como uma mudança não intencional da posição corporal para um nível inferior, com ou sem ocorrência de lesão. Trata-se de uma das síndromes geriátricas mais frequentes e está associada à perda de funcionalidade, hospitalização, institucionalização e aumento da mortalidade. Assim, as quedas representam um importante problema de saúde pública devido à sua elevada frequência e ao impacto sobre a autonomia e a qualidade de vida da pessoa idosa.
Epidemiologia das quedas em idosos
As quedas ocorrem com maior frequência entre idosos do que em outras faixas etárias. Então, estima-se que aproximadamente 25% dos idosos sofram pelo menos uma queda por ano.
Entre aqueles que apresentam quedas:
– Cerca de 10% desenvolvem lesões, como fraturas, contusões ou entorses
– O risco de incapacidade funcional aumenta significativamente após o evento.
No Brasil, são registrados mais de 120 mil episódios de quedas em idosos anualmente. Além disso, esses eventos geram custos superiores a 200 milhões de reais por ano para o Sistema Único de Saúde (SUS). A mortalidade relacionada às quedas também apresenta tendência de crescimento, especialmente entre indivíduos com 80 anos ou mais.
Principais causas de quedas em idosos
As quedas geralmente possuem origem multifatorial. Logo, na maioria dos casos, diversos fatores intrínsecos e extrínsecos contribuem simultaneamente para o evento.
Entre os principais fatores de risco estão:
– Alterações visuais
– Déficit de equilíbrio
– Redução da força muscular e Sarcopenia
– Fragilidade
– Distúrbios da marcha
– Doenças neurológicas
– Alterações cardiovasculares (especialmente hipotensão postural)
– Polifarmácia e uso de medicamentos com potencial de causar tontura ou sonolência
– Barreiras ambientais e riscos domiciliares
A identificação desses fatores é fundamental para direcionar intervenções preventivas e reduzir o risco de novos eventos.
Como avaliar o risco de quedas em idosos?
A avaliação do risco deve fazer parte da rotina assistencial de todos os idosos. Durante a consulta, recomenda-se investigar:
– Ocorrência de quedas nos últimos 12 meses
– Frequência dos episódios
– Circunstâncias da queda
– Presença de tontura ou síncope
– Uso de medicamentos
– Alterações da marcha e do equilíbrio
– Limitações funcionais
– Medo de cair.
Uma anamnese detalhada permite compreender o mecanismo da queda e identificar possíveis fatores desencadeantes. Além disso, a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) possibilita uma análise multidimensional dos domínios físico, funcional, cognitivo, emocional e social, contribuindo para uma abordagem mais completa do paciente.
Instrumentos para avaliação do risco de quedas
Diversos instrumentos podem ser utilizados para rastrear idosos com maior risco de quedas, auxiliar no planejamento terapêutico e monitorar a resposta à reabilitação como:
– Escala de equilíbrio de Berg
– Short Physical Performance Battery
– Teste de sentar e levantar (30 segundos)
– Timed-up and Go Test (TUGT)
Conclusão
As quedas em idosos representam uma importante síndrome geriátrica, associada à perda de funcionalidade, aumento da morbimortalidade e elevados custos para o sistema de saúde.
A identificação precoce dos fatores de risco, associada à utilização de instrumentos validados de avaliação geriátrica, permite implementar medidas preventivas, monitorar a evolução clínica e direcionar programas de reabilitação. Então, é possível reduzir a ocorrência de quedas e preservar a autonomia e a qualidade de vida da pessoa idosa.
Perguntas frequentes:
O que é uma queda em idosos?
Queda é um evento não intencional no qual a pessoa vai inadvertidamente ao chão, piso ou outro nível inferior. Em idosos, pode estar relacionada à interação de fatores clínicos, funcionais, ambientais e medicamentosos.
Qual o principal fator de risco para quedas em idosos?
Não existe um único fator de risco responsável pela maioria das quedas. Elas geralmente têm origem multifatorial, envolvendo alterações da marcha e do equilíbrio, fraqueza muscular, alterações visuais, doenças, medicamentos e fatores ambientais.
Qual teste é mais utilizado para avaliar risco de quedas em idosos?
Não existe um único teste capaz de avaliar isoladamente o risco de quedas. Assim, instrumentos como TUG, SPPB e Escala de Equilíbrio de Berg podem complementar a avaliação clínica e funcional.
Toda queda em uma pessoa idosa precisa ser investigada?
Uma queda em pessoa idosa merece atenção clínica, principalmente quando é recorrente, ocorre sem explicação clara, está associada a síncope ou tontura, provoca lesão ou ocorre em contexto de alteração funcional recente.
Sugestões de leitura:
Gonçalves ICM, Freita RF, Aquino EC et al. Tendêndia de mortalidade por quedas em idosos, no Brasil, no período de 2000-2019. Rev Bras Epidemiol 2022; 25:e220031. https://doi.org/10.1590/1980-549720220031.2
Lima JS, Quadros DV, Silva LSC. Custos das autorizações de internação hospitalar por quedas de idosos no Sistema Único de Saúde, Brasil, 2000-2020: um estudo descritivo. Bras Epidemio.Serv saúde 2022; 31(1):e2021603–e2021603. https://doi.org/10.1590/S1679-49742022000100012
Moreland B, Kakara R, Henry A. Trends in Nonfatal Falls and Fall-Related Injuries Among Adults Aged ≥65 Years – United States, 2012-2018. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2020;69(27):875-881. https://doi.org/10.15585/mmwr.mm6927a5

