Por: Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 11/09/2025
Atualização: 22/04/2026
A Escala Facial de Dor (FPS-R, Faces Pain Scale – Revised) é um instrumento unidimensional validado para avaliar a intensidade da dor por meio de seis expressões faciais. É indicada para pacientes com dificuldade em utilizar escalas numéricas ou verbais, incluindo idosos com comprometimento cognitivo leve a moderado que conseguem compreender comandos simples.
A versão original da Escala Facial de Dor foi proposta em 1990 por Bieri et al. para avaliar a dor em crianças com menos de sete anos. Na ocasião, o instrumento era composto por sete faces desenhadas por crianças, representando diferentes intensidades de dor, desde a ausência de dor até o sofrimento intenso.
Contudo, em 2001, Hicks et al. revisaram o instrumento e desenvolveram a FPS-R (Faces Pain Scale – Revised). A principal mudança foi a redução do número de faces de sete para seis, o que melhorou a padronização e a correspondência com outras escalas de avaliação da dor, como a Escala Numérica de Dor (0–10) e a Escala Visual Analógica (EVA).
Além disso, a nova versão passou a utilizar pontuações equivalentes (0-2-4-6-8-10), tornando sua interpretação mais simples e compatível com a prática clínica.
Como funciona a Escala Facial de Dor (FPS-R)?
A FPS-R apresenta seis expressões faciais organizadas em ordem crescente de intensidade da dor. Entretanto, diferentemente de outras escalas faciais, ela foi desenvolvida para representar apenas a intensidade dolorosa, reduzindo a influência de aspectos emocionais.
Entre suas características, destacam-se:
– Não utiliza expressões de felicidade ou tristeza
– Evita lágrimas ou sorrisos
– Foca exclusivamente na intensidade da dor
Logo, essas características contribuem para uma avaliação mais objetiva e favorecem sua utilização em diferentes contextos clínicos e culturais.
Aplicação da FPS-R em idosos
Embora tenha sido desenvolvida para crianças, a FPS-R é amplamente utilizada na avaliação da dor em idosos, especialmente naqueles com comprometimento cognitivo leve a moderado.
Assim, entre suas principais vantagens estão:
– Fácil compreensão
– Baixa exigência cognitiva
– Aplicação rápida
– Não depende exclusivamente da comunicação verbal
O paciente pode indicar sua resposta de diferentes formas:
– Verbalmente
– Apontando
– Movimentos de cabeça
– Piscamento
No entanto, é essencial que o paciente compreenda comandos simples para garantir a confiabilidade da avaliação.
Limitações da Escala Facial de Dor
Contudo, a FPS-r também apresenta algumas limitações:
– Pode haver interpretação equivocada das expressões faciais
– O paciente pode associar a emoções e não à intensidade da dor
– Trata-se de um instrumento unidimensional (avalia apenas intensidade da dor)
Ainda assim, a FPS-R permanece como uma ferramenta prática, validada e amplamente utilizada na avaliação clínica da dor em idosos.
Por fim, FPS-r é licenciada pela IASP (International Association for the Study of Pain). Ademais, outras informações podem ser encontradas no site da ePROVIDE.
Orientação para aplicação:
Durante a aplicação, o profissional deve fornecer uma orientação clara e padronizada:
“Esses rostos mostram quanta dor você sente com algo. Este rosto [aponte para o rosto mais à esquerda] não mostra nenhuma dor. Os rostos mostram cada vez mais dor [aponte para cada um, da esquerda para a direita] até este aqui [aponte para o rosto na extrema direita] – ele mostra muitíssima dor. Aponte para o rosto que mostra quanta dor você está sentindo [agora].”
Dessa forma, a resposta do paciente pode ser expressa de forma verbal, por escrito, por gestos como movimentação da cabeça, piscamento, entre outros.
Alguns pontos de atenção:
– Não utilizar termos como “feliz” ou “triste” (já que emoções e afeto não são o foco do instrumento)
– Não mostrar ou mencionar números ao paciente
– Focar apenas na intensidade da dor
Para cada imagem pode-se adotar um valor numérico (0-2-4-6-8-10 ou 0-1-2-3-4-5). Contudo, utiliza-se apenas para registro clínico.

Interpretação*:
O instrumento é mais útil para acompanhamento, mas importante ter em mente que a figura na ponta esquerda representa ausência de dor e na ponta direita a pior dor possível.
Pode-se pontuar cada uma da imagens.
Da esquerda para direita ficaria 0 – 2 – 4 – 6 – 8 – 10.
Outra opção seria: 0 – 1 -2 – 3 – 4 – 5.
Contudo, ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Logo, devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Perguntas frequentes:
O que é a Escala Facial de Dor (FPS-R)?
A FPS-R é uma escala composta por seis expressões faciais que permite ao paciente indicar a intensidade da dor.
A Escala Facial de Dor pode é útil em idosos?
Sim. A FPS-R é amplamente utilizada em idosos, especialmente naqueles com comprometimento cognitivo leve ou moderado que conseguem compreender comandos simples.
Como interpretar a FPS-R?
Cada face corresponde a uma intensidade crescente da dor. Além disso, pode ser convertida em uma pontuação equivalente à escala numérica de 0 a 10.
A FPS-R avalia todos os aspectos da dor?
Não. Trata-se de uma escala unidimensional que avalia apenas a intensidade da dor.
Sugestões de leitura:
Bieri D, Reeve R, Champion GD. The Faces Pain Scale for the self-assessment of the severity of pain experienced by children: Development, initial validation and preliminary investigation for ratio scale properties. Pain, 1990;41:139-150. https://doi.org/10.1016/0304-3959(90)90018-9
Hicks CL, von Baeyer CL, Spafford P. The Faces Pain Scale – Revised: Toward a common metric in pediatric pain measurement. Pain 2001;93:173-183. https://doi.org/10.1016/s0304-3959(01)00314-1
Kang Y, Demiris G. Self-report pain assessment tools for cognitively intact older adults: Integrative review. Int J People Nurs 2018; 13(2):e12170. https://doi.org/10.1111/opn.12170
Silva FC, Thuler LCS. Tradução e adaptação transcultural de duas escalas para avaliação da dor em crianças e adolescentes. J Pediatr (Rio de Janeiro) 2008; 84(4): 344-49. https://doi.org/10.1590/S0021-75572008000400010
Stuppy DJ. The Faces Pain Scale: reliability and validity with mature adults. Appl Nurs Res 1998; 11(2): 84-9. https://doi.org/10.1016/s0897-1897(98)80229-2
Ware LJ, Epps CD, Herr K, Packard A. Evaluation of the Revised Faces Pain Scale, Verbal descriptor scale. numeric rating scale, and Iowa pain thermometer in older minority adults. Pain manag nurs 2006; 7(3): 117-25. https://doi.org/10.1016/j.pmn.2006.06.005

