Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 31/05/2025
Atualização: 05/02/2026
O que é cardiogeriatria?
A cardiogeriatria é a área dedicada ao estudo, avaliação e cuidado das alterações cardiovasculares relacionadas ao envelhecimento. Logo, atua na interface entre a cardiologia e a geriatria. Contudo, trata-se de especialidade relativamente recente, surgiu na década de 1980 e ganhou relevância com o crescimento acelerado da população idosa.
No Brasil, o Departamento de Cardiogeriatria (DECAGE), vinculado à Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), coordena ações científicas e educacionais na área.
Competências esperadas na cardiogeriatria
A atuação em cardiogeriatria exige um conjunto específico de competências clínicas e relacionais. Logo, destacam-se:
– Compreensão das alterações fisiológicas e patológicas do envelhecimento
– Conhecimento dos instrumentos de avaliação geriátrica ampla, incluindo funcionalidade, sarcopenia, fragilidade e multimorbidade
– Capacidade de comunicação efetiva e condução de decisões compartilhadas, especialmente diante de incertezas prognósticas
– Discernimento quanto à proporcionalidade terapêutica
– Habilidade para atuar em equipe multidisciplinar, definindo planos de cuidado centrados no idoso
Como ocorre o envelhecimento cardiovascular?
O coração é um dos primeiros órgãos a se desenvolver durante a embriogênese. Ao final da terceira semana de gestação, iniciam-se os batimentos cardíacos. Assim, assegura a oxigenação dos tecidos em formação. Por volta da sétima semana, ocorre a formação das quatro câmaras cardíacas, e até a décima semana o coração encontra-se completamente desenvolvido.
Por fim, após o nascimento, o sistema cardiovascular passa por importantes adaptações estruturais e funcionais, como o fechamento dos shunts fetais, a transição da oxigenação para os pulmões e o aumento da massa miocárdica.
Alterações cardiovasculares associadas ao envelhecimento
Contudo, ao longo da vida, o coração sofre influência de diversos fatores, incluindo hábitos de vida, comorbidades (como hipertensão, diabetes, dislipidemia e doença renal crônica), predisposição genética e mecanismos epigenéticos. Então, no envelhecimento, essas alterações tornam-se mais pronunciadas e podem ser classificadas em diferentes níveis.
Alterações moleculares e celulares
No nível molecular, observa-se aumento do estresse oxidativo, acúmulo de radicais livres, disfunções na sinalização intracelular. Além disso, há maior ativação de sistemas neuro-hormonais (como o sistema renina-angiotensina-aldosterona) e danos aos telômeros.
Por outro lado, no nível celular, ocorrem perda de miócitos, substituição por tecido fibroso, disfunção mitocondrial, alterações no metabolismo energético e deposição de amiloide.
Alterações estruturais e funcionais do coração
Entretanto, do ponto de vista estrutural, o envelhecimento cardiovascular pode levar a remodelamento cardíaco, com hipertrofia e/ou dilatação das câmaras, redução da perfusão coronariana e espessamento das válvulas cardíacas.
Então, são comuns a disfunção ventricular sistólica e diastólica, a redução da reserva cardíaca ao exercício e a maior predisposição a arritmias, dor anginosa e valvopatias.
Envelhecimento vascular e impacto clínico
O envelhecimento vascular também desempenha papel central na cardiogeriatria. Logo, há disfunção endotelial e espessamento da camada íntima das artérias, com redução da vasodilatação, especialmente pela menor biodisponibilidade de óxido nítrico e maior ação da endotelina.
Rigidez arterial e pressão arterial no idoso
Além disso, ocorre perda progressiva da elasticidade arterial devido ao aumento da deposição de colágeno e à redução de elastina. Assim, na aorta, essas mudanças resultam em:
– Aumento da pressão arterial sistólica
– Elevação da velocidade da onda de pulso
– Aumento da pressão de pulso
Manifestações clínicas frequentes
As alterações cardiovasculares associadas ao envelhecimento podem se manifestar clinicamente. Assim, destaca-se
– Insuficiência cardíaca
– Arritmias, especialmente fibrilação atrial
– Hipertensão arterial sistêmica
– Valvopatias, como estenose aórtica
– Amiloidose cardíaca do tipo ATTR, relacionada à deposição de transtirretina
Por fim, essas condições reforçam a importância da avaliação cardiogeriátrica integrada à avaliação geriátrica ampla, permitindo um cuidado mais preciso e centrado no idoso.
Perguntas frequentes
O que diferencia a cardiogeriatria da cardiologia tradicional?
A cardiogeriatria incorpora a avaliação global do idoso, considerando fatores clínicos, funcionais, cognitivos e sociais além da doença cardiovascular.
Quando um idoso pode se beneficiar de uma avaliação cardiogeriátrica?
Principalmente quando apresenta doenças cardiovasculares complexas, múltiplas doenças crônicas, fragilidade, perda funcional ou necessidade de decisões terapêuticas individualizadas.
Quais doenças cardiovasculares são comuns no envelhecimento?
As principais incluem hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, doenças valvares e amiloidose cardíaca relacionada à transtirretina.
Por que considerar fragilidade no cuidado cardiovascular do idoso?
Porque a fragilidade influencia prognóstico, tolerância aos tratamentos e tomada de decisão clínica.
Sugestões de leitura:
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