Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 03/01/2025
Atualização: 22/05/2026
A mensuração da estatura exige que a pessoa consiga permanecer em uma posição adequada para a avaliação. Entretanto, alguns idosos apresentam limitações que dificultam ou impedem essa medida.
Entre as situações que podem interferir na mensuração direta estão:
– Dificuldade para permanecer em ortostatismo
– Limitações importantes de mobilidade
– Deformidades ou alterações da coluna vertebral
– Cifose acentuada
– Condições clínicas que dificultam a avaliação antropométrica convencional
Além disso, a estatura tende a sofrer alterações ao longo do envelhecimento. Por isso, em determinadas situações, uma medida obtida diretamente pode não representar adequadamente a estatura previamente apresentada pelo indivíduo.
A altura do joelho é uma alternativa porque apresenta menor influência das alterações relacionadas ao envelhecimento do que a estatura corporal total. Por esse motivo, essa medida é útil em equações para estimativa da estatura.
O que é a equação de Chumlea?
A equação de Chumlea é um método utilizado para estimar a estatura de pessoas idosas a partir da medida da altura do joelho. O trabalho clássico de Chumlea, Roche e Steinbaugh (publicado em 1985) apresentou equações para estimar a estatura de homens e mulheres idosos utilizando a altura do joelho medida em decúbito dorsal.
As equações de Chumlea foram posteriormente utilizadas e avaliadas em diferentes populações. Portanto, sua aplicação deve considerar as características da população na qual o método foi desenvolvido e as evidências disponíveis para a população avaliada.
Como medir a altura do joelho?
No método descrito originalmente por Chumlea et al., a medida da altura do joelho é preferencialmente com o indivíduo em decúbito dorsal.
O paciente deve permanecer com a perna posicionada de forma que o joelho e o tornozelo formem aproximadamente um ângulo de 90°. Mede-se entre a superfície plantar do pé e a região anterior da coxa, próxima aos côndilos femorais.
Para uma medida adequada, é importante utilizar um instrumento antropométrico apropriado e manter o posicionamento padronizado durante todo o procedimento.
Medição em decúbito dorsal
Na técnica original, o indivíduo permanece deitado. O membro inferior fica com o joelho e o tornozelo em aproximadamente 90°. Mede-se então a altura do joelho entre a superfície plantar do pé e a região anterior da coxa, acima dos côndilos femorais.
Diferenças no posicionamento do membro ou na localização dos pontos anatômicos podem interferir no resultado.
Medição com o paciente sentado
Outros estudos também descreveram a mensuração da altura do joelho com o indivíduo sentado. Nessa situação, o joelho fica a aproximadamente 90°, com o membro inferior posicionado de acordo com a técnica utilizada.
Apesar da existência de diferentes formas de mensuração, é importante distinguir os métodos utilizados em estudos posteriores do procedimento empregado no desenvolvimento das equações originais.
No entanto, Chumlea et al. sugerem que a medição feita com o paciente deitado oferece maior acurácia nos resultados. Em alguns locais, devido à falta de equipamentos adequados, faz-se a medição com fita métrica inextensível e inelástica, método diferente do utilizado no estudo original. Logo, Oliveira et al. (2017) relataram que, no caso de medição com fita métrica, os resultados foram mais próximos da altura real do que com o uso de estadiômetro. Contudo, as mesmas autoras destacam que a literatura sobre o uso de fita métrica na medição da altura do joelho é escassa.

Aplicações na avaliação geriátrica e nutricional
A estatura estimada é útil em diferentes cálculos antropométricos quando a mensuração direta da altura não é possível.
Um exemplo é o Índice de Massa Corporal (IMC), calculado a partir do peso e da estatura. Nesse contexto, uma estimativa da estatura permite a obtenção do IMC.
A medida pode, portanto, integrar a avaliação nutricional da pessoa idosa e contribuir para a avaliação multidimensional realizada no contexto da Avaliação Geriátrica Ampla (AGA).
Entretanto, a interpretação deve considerar as limitações do método e as características clínicas do indivíduo.
Limitações da equação de Chumlea
A principal limitação das equações de estimativa de estatura é que elas foram desenvolvidas a partir de populações específicas. Portanto, sua precisão pode variar quando aplicadas a indivíduos com características diferentes da população de desenvolvimento.
Esse aspecto é especialmente importante quando se consideram diferenças populacionais, antropométricas e étnicas. Equações desenvolvidas em determinados grupos podem apresentar desempenho diferente quando aplicadas a outras populações.
Também é importante considerar a forma de medir a altura do joelho. A técnica original e os instrumentos empregados no desenvolvimento da equação devem ser diferenciados de métodos adaptados utilizados na prática clínica por limitações de recursos.
Quando as técnicas ou os instrumentos são diferentes do método original, a interpretação deve-se ter cautela na interpretação.
Altura Estimada (Chumlea, 1985)
Interpretação*:
A equação de Chumlea et al. (1985) estima a altura em centímetros a partir da altura do joelho. Logo, não há ponto de corte a se adotar.
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Logo, interpretados sob a luz de julgamento clínico
Perguntas frequentes:
Por que utilizar a altura do joelho para estimar a estatura?
A altura do joelho pode ser utilizada quando a mensuração direta da estatura é difícil ou impossível. Isso pode ocorrer em pessoas idosas com limitações de mobilidade ou alterações da coluna vertebral.
A altura do joelho muda com o envelhecimento?
A altura do joelho é uma medida menos afetada pelo envelhecimento do que a estatura corporal total. Por isso, é útil em equações antropométricas para estimar a estatura.
Qual método de medição da altura do joelho deve ser utilizado?
A técnica deve seguir o método da equação utilizada. No estudo original de Chumlea et al., a medida foi realizada com o indivíduo em decúbito dorsal.
A equação de Chumlea serve para qualquer população?
Não necessariamente. As equações foram desenvolvidas a partir de populações específicas e seu desempenho pode variar quando aplicadas a outros grupos. Por isso, é importante considerar estudos de validação.
Sugestões de leitura:
Chumlea WC, Roche AF, Steinbaugh ML. Estimating Stature from Knee Height for Persons 60 to 90 Years of Age. J Am Geriatr Soc 1985; 33(2): 116-20. https://doi.org/10.1111/j.1532-5415.1985.tb02276.x
Closs VE, Feoli AMP, Schwanke CHA. Altura do joelho como medida alternativa confiável na avaliação nutricional de idosos. Rev Nutr 2015; 28(5): 475-484. https://doi.org/10.1590/1415-52732015000500002
Monteiro RSC, Cunha TRL, Santos MEN, Mendonça SS. Estimativa de peso, altura e índice de massa corporal em adultos e idosos americanos: revisão. Com Ciências Saúde 2009; 20(4): 341-350. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/ccs_artigos/2009Vol20_4art8estimativapeso.pdf
Oliveira PM, Moreira APB, Garios RS, Elias MAR. Comparação dos métodos de estimativa de peso e altura em pacientes hospitalizados. HU Revista 2017; 43(3):399-406. https://doi.org/10.34019/1982-8047.2017.v43.2779
Silva APN, Oliveira CC, Silva GC, Santos GA. Estimativa de Peso Corporal e Estatura em Idosos: Concordância entre Métodos. Geriatr Gerontol Aging 2018; 12(2): 74-80. https://www.ggaging.com/details/465/en-US/estimated-body-weight-and-height-in-older-adults–agreement-between-methods

