Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 07/04/2024
Atualização: 10/04/2026
A Escala de Hoehn e Yahr é um instrumento clínico utilizado para classificar a progressão da doença de Parkinson (clássico distúrbio do movimento). A escala baseia-se principalmente na distribuição dos sintomas motores, na presença de instabilidade postural e no impacto funcional da doença, permitindo estimar seu estágio evolutivo de forma simples e reprodutível.
Desde sua publicação em 1967, a Escala de Hoehn e Yahr tornou-se uma das ferramentas mais utilizadas na prática clínica, na pesquisa e no acompanhamento longitudinal de pessoas com doença de Parkinson. Embora não avalie a intensidade dos sintomas nem as manifestações não motoras, continua sendo um importante método para o estadiamento da doença e para a comunicação entre profissionais de saúde.
Como surgiu a Escala de Hoehn e Yahr?
A escala foi desenvolvida por Margaret Hoehn e Melvin Yahr, a partir da observação clínica de pacientes acompanhados na Vanderbilt Clinic entre 1949 e 1964. O objetivo foi criar um sistema padronizado que permitisse classificar a progressão da doença de Parkinson de acordo com o comprometimento motor e funcional.
Assim, sua ampla aceitação deve-se à facilidade de aplicação, boa reprodutibilidade e utilidade na prática clínica, especialmente para monitorar a evolução da doença ao longo do tempo.
Como funciona a Escala de Hoehn e Yahr?
A Escala de Hoehn e Yahr classifica a doença de Parkinson em estágios progressivos com base em quatro aspectos principais:
– Distribuição de sintomas (unilateral ou bilateral)
– Comprometimento da marcha
– Alterações no equilíbrio
– Grau de dependência funcional
A partir do estágio III, observa-se prejuízo do equilíbrio, um marco importante na progressão da doença.
Na década de 1990, revisou-se a escala para contemplar variações clínicas não incluídas na versão original.
– Estágio 1.5: acometimento unilateral com envolvimento axial
– Estágio 2.5: doença bilateral leve com recuperação no teste de retropulsão
Além disso, passou a ser incorporado o pull test, utilizado para avaliar instabilidade postural, substituindo parcialmente o empurrão frontal descrito inicialmente.
Os estágios mais avançados apresentam maior tempo de evolução da doença e pior prognóstico funcional. Então, estes pacientes apresentam:
– Redução da independência
– Piora da qualidade de vida
– Diminuição da transmissão dopaminérgica
– Maior risco de declínio cognitivo
Quais são as aplicações da Escala de Hoehn e Yahr?
A Escala de Hoehn e Yahr é amplamente utilizada para:
– Classificar o estágio evolutivo da doença de Parkinson
– Monitorar a progressão clínica
– Acompanhar a resposta ao tratamento
– Estimar o prognóstico funcional
– Auxiliar na comunicação entre profissionais de saúde
– Padronizar a classificação de pacientes em pesquisas clínicas
Quais são as limitações da Escala de Hoehn e Yahr?
Apesar de sua ampla utilização, a escala apresenta limitações importantes. Por isso, destacam-se:
– Não avalia a intensidade dos sintomas
– Pode subestimar quadros unilaterais graves
– Não inclui sintomas não motores, como: disautonomia, alterações cognitivas, distúrbios comportamentais, alterações do sono
– Não mensura adequadamente o comprometimento de membros superiores
– Sugerir uma progressão linear da doença, o que nem sempre ocorre na prática clínica
Por esse motivo, recomenda-se complementar sua utilização com instrumentos mais abrangentes, como a MDS-UPDRS, que avalia tanto manifestações motoras quanto não motoras da doença de Parkinson.
Qual é o papel da Escala de Hoehn e Yahr na Avaliação Geriátrica Ampla?
A Escala de Hoehn e Yahr não deve ser utilizada de forma isolada em idosos. Uma abordagem abrangente deve incluir a Avaliação Geriátrica Ampla, contemplando diferentes domínios clínicos, como:
– Cognição
– Funcionalidade
– Humor
– Risco de quedas
– Estado nutricional
– Fragilidade
– Suporte social
A integração desses instrumentos permite identificar vulnerabilidades, orientar o plano terapêutico e promover um cuidado centrado na pessoa idosa.


Interpretação*:
A escala de Hoehn e Yahr foi (original e modificada) serve para estratificar a evolução do paciente com doença de Parkinson. A própria estratificação já direciona o examinador quanto ao grau de evolução da doença. Contudo, quanto ao grau de incapacidade, pode-se considerar que:
Estágios um, dois e três: incapacidade funcional level
Estágios quatro e cinco: incapacidade grave
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Perguntas frequentes:
O que a Escala de Hoehn e Yahr avalia?
A escala classifica o estágio de progressão da doença de Parkinson com base no comprometimento motor, na instabilidade postural e na capacidade funcional.
Quantos estágios possui a Escala de Hoehn e Yahr?
A versão modificada possui sete estágios: 1, 1,5, 2, 2,5, 3, 4 e 5.
A escala avalia sintomas não motores?
Não. A Escala de Hoehn e Yahr foi desenvolvida para avaliar principalmente as manifestações motoras da doença de Parkinson. Sintomas como alterações cognitivas, distúrbios do sono, depressão e disautonomia devem ser investigados com instrumentos específicos.
A Escala de Hoehn e Yahr substitui a MDS-UPDRS?
Não. A Escala de Hoehn e Yahr fornece uma classificação global do estágio da doença, enquanto a MDS-UPDRS realiza uma avaliação mais detalhada da gravidade dos sintomas motores e não motores.
Sugestões de leitura:
Goetz CG, Poewe W, Rascol O et al. Movement Disorder Society Task Force report on the Hoehn and Yahr staging scale: status and recommendations. Mov Disord 2004; 19(9): 1020-8. https://doi.org/10.1002/mds.20213
Hoehn MM, Yahr MD. Parkinsonism: onset, progression and mortality. Neurology 1967; 17(5): 427-42. https://doi.org/10.1212/wnl.17.5.427
Zhao YJ, Wee HL, Chan Y et al. Progression of Parkinson’s Disease as Evaluated by Hoehn and Yahr Stage Transition Times. Mov Disord 2010; 25(6): 710-716. https://doi.org/10.1002/mds.22875

