Calculadora de Opioides
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 09/11/2025
Os opioides são fármacos eficazes no tratamento de praticamente todas as síndromes dolorosas crônicas (dor com duração igual ou superior a três meses), tanto de origem oncológica quanto não oncológica, especialmente nos casos de dor moderada a intensa. No entanto, seu uso deve ser cauteloso em quadros de dor aguda (duração inferior a 30 dias) e não é indicado como terapia de primeira linha para dores crônicas não relacionadas ao câncer. Essa recomendação se justifica pelo risco de dependência química em indivíduos suscetíveis e pelo potencial de uso inadequado da medicação. Mesmo em contextos crônicos, o risco de dependência pode variar entre 20% e 40% dos casos.
O tratamento com opioides deve ser sempre realizado sob acompanhamento de profissional qualificado, com experiência no manejo da dor. O prescritor precisa compreender os aspectos farmacocinéticos e farmacodinâmicos dessas drogas, os mecanismos de tolerância, os efeitos adversos mais comuns, o risco de dependência e as técnicas de rotação ou conversão de opioides (mudança entre diferentes drogas da mesma classe).
A conversão de opioides tem como objetivo aprimorar o controle da dor ou reduzir efeitos colaterais, como sedação, constipação, hipotensão ortostática, alterações cognitivas, delírio, náusea, mioclonia e hiperalgesia. Sendo estes mais comuns na população idosa. Também pode ser necessária para otimizar a posologia, alterar a via de administração ou adequar o tratamento a questões econômicas.
Contudo, é importante destacar que a troca entre opioides de potência analgésica teórica equivalente nem sempre se traduz em resultados clínicos idênticos. A incidência e intensidade dos efeitos adversos podem variar significativamente entre as drogas. Assim, o manejo deve ser individualizado, considerando idade, função renal, comorbidades, interações medicamentosas, características da síndrome dolorosa e a tolerância prévia do paciente. A transição entre medicamentos deve ocorrer de forma gradual, com monitorização clínica regular.
Para realizar a substituição entre opioides, é fundamental calcular a dose equianalgésica (ou equipotente), definida como a dose e frequência de dois agentes que produzem o mesmo efeito analgésico em estado de equilíbrio. Esse cálculo é feito convertendo-se a dose atual para o equivalente em morfina oral, conhecido como MME (Morphine Milligram Equivalents). A morfina por via oral é utilizada como padrão de referência.
Além de orientar a conversão medicamentosa, o cálculo da MME é essencial para o monitoramento da segurança e ajuste terapêutico. Em geral, pacientes sem exposição prévia a opioides devem iniciar com doses entre 20 e 30 MME. Quando a MME ultrapassa 50, é recomendada avaliação clínica mais frequente, devido ao maior risco de efeitos adversos. Nesses casos, pode-se considerar o desmame gradual, o uso de terapias combinadas e a prescrição de antagonistas de opioides (como a naloxona). Doses superiores a 90 MME devem ser evitadas, salvo em situações específicas, como em cuidados paliativos, nas quais há necessidade de flexibilização dos parâmetros. Apesar de útil, o cálculo do MME não substitui o julgamento clínico.
Deve-se lembrar que há grande variabilidade individual na resposta analgésica e na percepção da dor. Por isso, diversas tabelas de equivalência já foram propostas por diferentes autores, com resultados que são estimativas e não cálculos exatos. Muitas conversões não foram estudadas de forma bidirecional, e parte dos valores são extrapolações baseadas em populações distintas (pacientes oncológicos, pós-operatórios, com dor neuropática, etc.) e em metodologias variadas (estudos randomizados, retrospectivos ou de braço único).
Além disso, diferentes instrumentos de avaliação da dor, como a Escala Visual Analógica (EVA), a escala numérica e a escala verbal, são utilizados nos estudos, cada qual com suas vantagens e limitações.
Nesta página, propõe-se a conversão inicial do opioide em uso para o equivalente em MME e, a partir disso, a estimativa da dose do novo medicamento. São também apresentadas reduções de dose de 10%, 25% e 50%, recomendando-se, de modo geral, reduzir entre 25% e 50% ao realizar a troca de opioides devido à tolerância cruzada incompleta entre diferentes indivíduos. Além de possibilidade de sensibilidade individual a diferentes drogas.