Escala numérica de avaliação da dor (EN)
A escala numérica de avaliação da dor – EN (Numeric Pain Rating Scale – NRS) é um instrumento de avaliação unidimensional amplamente utilizado para mensurar a intensidade da dor relatada pelo próprio paciente. Por se tratar de um método autorreferido, sua aplicação eficaz depende da capacidade de comunicação da pessoa avaliada, o que limita seu uso em pacientes com comprometimento cognitivo moderado a avançado, como em casos de demência.
A aplicação da EN pode ser realizada de forma escrita ou verbal — sendo, neste último caso, frequentemente chamada de escala verbal-numérica. Também é possível recorrer a formas alternativas de comunicação, como gestos, piscadas (com perguntas do tipo sim/não) ou o ato de apontar para um número em uma escala impressa.
A versão mais comum da escala numérica da dor apresenta onze opções de resposta, variando de zero (0) a dez (10). No entanto, existem outras variações descritas na literatura, com escalas que oferecem de 6 até 101 opções. Independentemente do formato, é fundamental esclarecer ao paciente que a escala é crescente: valores mais baixos indicam dor leve ou ausência de dor, enquanto valores mais altos indicam dor de maior intensidade, chegando até o limite da dor considerada insuportável.
O paciente deve ser orientado a indicar um valor numérico correspondente à intensidade da dor no momento da avaliação. Isso pode ser feito verbalmente, por meio de uma escala impressa com caixas numeradas (em que o paciente marca ou aponta), ou utilizando uma régua graduada, que pode estar disposta na horizontal ou vertical. Em algumas versões, utilizam-se cores (como do azul ao vermelho) para facilitar a compreensão da intensidade da dor. Também podem ser incluídas expressões faciais que representam diferentes graus de desconforto, associando os números a elementos visuais compreensíveis e descritores verbais
A EN é útil para avaliar a dor no instante da aplicação, servindo como parâmetro comparativo em avaliações subsequentes, inclusive para monitorar a resposta às intervenções terapêuticas. Considera-se uma melhora clinicamente significativa quando há uma redução de dois ou mais pontos na escala.
Esse instrumento foi validado para uso tanto em adultos quanto em idosos, sendo eficaz na avaliação de dores agudas ou crônicas. Tem ampla aplicabilidade em diferentes contextos de cuidado em saúde, como em cuidados paliativos, instituições de longa permanência para idosos, pós-operatórios, ambulatórios, entre outros cenários clínicos.
A EN é amplamente adotada devido à sua praticidade e rapidez na aplicação, geralmente levando menos de um minuto. Apresenta bom entendimento mesmo por pacientes com diferentes níveis de escolaridade e origens culturais, promovendo uma avaliação objetiva e com gradação numérica. No entanto, sua principal limitação é ser uma ferramenta unidimensional, sem levar em conta aspectos subjetivos da dor, como variações ao longo do tempo, experiência emocional ou fatores psicológicos associados.
Orientação para aplicação
Peça ao paciente para relatar, apontar ou circular o número que melhor representa a intensidade da dor que está sentindo no momento da avaliação. Não se trata de relembrar dores passadas, exceto quando o avaliador julgar necessário delimitar um período específico (como “ontem à noite”, por exemplo). Explique claramente que:
– Zero: representa ausência de dor;
– Dez: representa a pior dor possível, uma dor excruciante, insuportável ou intolerável.

Na literatura, é possível encontrar variações da EN onde há uma mesclagem desta com a escala visual-analógica (EVA) de dor. Nesta versão os números são distribuídos em uma reta.

Interpretação*:
O uso da EN pode se dar tanto para guiar a escola de analgesia, quanto avaliar a resposta terapêutica após sua adoção. Classifica-se a intensidade da dor de acordo com o valor numérico:
Zero (0): Sem dor;
Um (1) a três (3): dor leve;
Quatro (4) a seis (6): dor moderada;
Sete (7) a nove (9): dor forte;
Dez (10): dor insuportável, a pior possível;
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Referências:
Bjelkarøy MT, Benth JS, Simonsen TB, Siddiqui TG, Cheng S, Kristoffersen ES, et al. Measuring pain intensity in older adults. Can the visual analogue scale and the numerical rating scale be used interchangeably? Prog Neuropsychopharmacol Biol Psychiatry 2024; 130: 110925.
Hadjistavropoulos T, Herr K, Prkachin KM, Craig KD, Gibson SJ, Lukas A, et al. Pain assessment in elderly adults with dementia. Lancet Neurol 2014; 13(12): 1216-27. doi: 10.1016/S1474-4422(14)70103-6.
Hjermstad MJ, Fayers PM, Haugen DF, Caraceni A, Hanks GW, Loge JH, et al. Studies comparing Numerical Rating Scales, Verbal Rating Scales, and Visual Analogue Scales for assessment of pain intensity in adults: a systematic literature review. J Pain Symptom Manage 2011; 41(6): 1073-93. doi: 10.1016/j.painsymman.2010.08.016.
Nimmaanrat S, Thepsuwan A, Tipchatyotin S, Jensen MP. Measuring pain intensity in older patients: a comparison of five scales. BMC Geriatr 2024; 24(1): 556. doi: 10.1186/s12877-024-05127-6.
Peters ML, Patjin J, Lamé I. Pain assessment in younger and older pain patients: psychometric properties and patient preference of five commonly used measured of pain intensity. Pain Med 2007; 8(7): 601-10. doi: 10.1111/j.1526-4637.2007.00311.x.
Wood BM, Nicholas MK, Blyth F, Ashgari A, Gibson S. Assessing pain in older people with persistent pain: the NRS is valid but only provides part of the picture. J Pain 2010; 11(12): 1259-66. doi: 10.1016/j.jpain.2010.02.025.