Escala Facial de Dor – revisada
Por: Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 11/09/2025
Atualização: 01/11/2025
A Escala Facial de Dor foi proposta em 1990 por Bieri et al., com o objetivo de avaliar a dor em crianças com menos de sete anos de idade. O instrumento original consistia em sete faces desenhadas por um grupo de crianças, apresentando expressões faciais que representavam diferentes níveis de dor, do conforto ao sofrimento intenso.
Em 2001, Hicks et al. propuseram modificações na escala para facilitar sua correlação com escalas numéricas da dor (NRS), resultando na versão revisada conhecida como FPS-r (Facial Pain Scale – Revised). A nova versão reduziu o número de faces para seis, promovendo maior simplicidade e melhor padronização com pontuações numéricas equivalentes (como 0-1-2-3-4-5 ou 0-2-4-6-8-10), mais alinhadas a sistemas de medição amplamente utilizados na prática clínica. Neste estudo, os autores detectaram boa correlação com escala visual-analógica (EVA).
A FPS-r evita o uso de sorrisos ou lágrimas nas expressões faciais, com a intenção de minimizar interpretações emocionais e culturais diversas. Essa abordagem busca focar exclusivamente na intensidade da dor, tornando o instrumento mais neutro e universal.
Embora tenha sido originalmente desenvolvida para uso pediátrico, a FPS-r também tem se mostrado eficaz na avaliação da dor em idosos, inclusive entre aqueles com comprometimento cognitivo leve a moderado. Sua aplicação é simples, exige pouco esforço mental do paciente e, na maioria das vezes, não requer explicações complexas. No entanto, é essencial que o paciente compreenda comandos simples para conseguir selecionar a face que melhor representa sua dor.
Durante a orientação, deve-se evitar o uso de palavras como “feliz” ou “triste”, pois estão associadas ao afeto, o que não é o foco do instrumento. A resposta do paciente pode ser expressa de forma verbal, por escrito, por gestos como movimentação da cabeça, piscamento, entre outros. É importante lembrar que a numeração das faces (0-2-4-6-8-10 ou 0-1-2-3-4-5) é destinada apenas ao uso clínico, não devendo ser mostrado ou dito ao paciente no momento da avaliação.
Entre as limitações da FPS-r, destaca-se a possibilidade de interpretações equivocadas durante a orientação, levando o paciente a considerar aspectos emocionais ou de bem-estar geral, em vez de focar exclusivamente na intensidade da dor (instrumento unidimensional). Ainda assim, a escala permanece como uma ferramenta valiosa em contextos geriátricos, por sua objetividade e facilidade de uso.
A FPS-r é licenciada pela IASP (International Association for the Study of Pain). Mais informações podem ser encontradas no site da ePROVIDE.
Orientação para aplicação:
Deve ser dito ao paciente: “Esses rostos mostram quanta dor você sente com algo. Este rosto [aponte para o rosto mais à esquerda] não mostra nenhuma dor. Os rostos mostram cada vez mais dor [aponte para cada um, da esquerda para a direita] até este aqui [aponte para o rosto na extrema direita] – ele mostra muitíssima dor. Aponte para o rosto que mostra quanta dor você está sentindo [agora].”

Interpretação*:
O instrumento é mais útil para acompanhamento, mas importante ter em mente que a figura na ponta esquerda representa ausência de dor e na ponta direita a pior dor possível.
Pode-se pontuar cada uma da imagens.
Da esquerda para direita ficaria 0 – 2 – 4 – 6 – 8 – 10.
Outra opção seria: 0 – 1 -2 – 3 – 4 – 5.
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Referências:
Bieri D, Reeve R, Champion GD. The Faces Pain Scale for the self-assessment of the severity of pain experienced by children: Development, initial validation and preliminary investigation for ratio scale properties. Pain, 1990;41:139-150. doi: 10.1016/0304-3959(90)90018-9.
Hicks CL, von Baeyer CL, Spafford P. The Faces Pain Scale – Revised: Toward a common metric in pediatric pain measurement. Pain 2001;93:173-183.doi: 10.1016/S0304-3959(01)00314-1.
Kang Y, Demiris G. Self-report pain assessment tools for cognitively intact older adults: Integrative review. Int J People Nurs 2018; 13(2):e12170. doi: 10.1111/opn.12170.
Silva FC, Thuler LCS. Tradução e adaptação transcultural de duas escalas para avaliação da dor em crianças e adolescentes. J Pediatr (Rio de Janeiro) 2008; 84(4): 344-49. doi: 10.2223/JPED1809.
Stuppy DJ. The Faces Pain Scale: reliability and validity with mature adults. Appl Nurs Res 1998; 11(2): 84-9. doi: 10.1016/s0897-1897(98)80229-2.
Ware LJ, Epps CD, Herr K, Packard A. Evaluation of the Revised Faces Pain Scale, Verbal descriptor scale. numeric rating scale, and Iowa pain thermometer in older minority adults. Pain manag nurs 2006; 7(3): 117-25. doi: 10.1016/j.pmn.2006.06.005.