Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 18/09/2025
Atualização: 22/04/2026
O que é a Escala Geriatric Pain Measure (GPM)?
O Geriatric Pain Measure (GPM) é um instrumento multidimensional utilizado na avaliação da dor em idosos. Desenvolvida por Ferrell et al., a ferramenta foi criada para oferecer uma análise mais abrangente da dor nessa população.
Assim, o instrumento combina aspectos da intensidade dolorosa, impacto funcional e repercussões emocionais, permitindo uma avaliação mais abrangente do paciente idoso.
Dessa forma, a ferramenta pode ser utilizada como parte da Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), auxiliando profissionais de saúde na identificação das consequências da dor sobre autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.
Quais dimensões da dor são avaliadas pela GPM?
A Escala Geriatric Pain Measure avalia três dimensões principais da dor:
– Sensório-discriminativa: relacionada às características físicas da dor, como intensidade, localização e percepção do estímulo doloroso.
– Motivacional-afetiva: avalia o impacto emocional da dor, incluindo sofrimento, desconforto e alterações no comportamento.
– Cognitivo-avaliativa: considera a interpretação individual da dor e sua influência sobre atividades diárias, funcionalidade e qualidade de vida.
Como a Escala GPM foi desenvolvida?
No desenvolvimento do GPM houve integração de diferentes domínios da funcionalidade, baseado em escalas amplamente validadas. Dessa forma, destacam-se o índice de Katz e a escala de Lawton-Brody (sete itens). Ademais incorpora a escala de Tinetti para equilíbrio e a escala de depressão geriátrica de Yesavage para rastreio de humor.
Além disso, aspectos relacionados à qualidade de vida foram considerados no desenvolvimento do instrumento. Contudo, é importante ressaltar que indivíduos com comprometimento cognitivo significativo (pontuação inferior a 26 no Mini-Exame do Estado Mental) foram excluídos durante sua validação.
Como aplicar a GPM?
O instrumento é composto por 24 itens e pode ser aplicado tanto por um profissional quanto por meio de autorrelato. Desses, 22 itens são de resposta dicotômica (sim/não), enquanto os dois restantes utilizam uma escala numérica de zero a dez.
O tempo médio de aplicação é de aproximadamente cinco minutos. Logo, é uma ferramenta adequada para utilização na prática clínica.
Como calcular o escore da GPM?
O escore total varia de 0 a 42 pontos, sendo calculado pela soma das respostas positivas e dos valores das escalas numéricas.
Por fim, para facilitar a interpretação dos resultados, o escore pode ser convertido para uma escala de 0 a 100. Então, basta multiplicar o valor total por 2,38 (100/42). Logo, essa padronização permite melhor comparação entre pacientes e acompanhamento evolutivo.
Geriatric Pain Measure – GPM
Interpretação*:
A interpretação do GPM em geral, é feita a partir do escore ajustado.
GPM – escore ajustado
0 – 30 pontos: dor leve;
30 – 69 pontos: dor moderada;
70 pontos ou mais: dor intensa.
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Logo, devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Perguntas frequentes:
A GPM avalia apenas a intensidade da dor?
Não, a GPM possui abordagem multidimensional. Logo, avalia também impactos emocionais, funcionais e cognitivos relacionados à dor.
Quanto tempo demora para aplicar a GPM?
A aplicação geralmente leva cerca de cinco minutos.
A GPM pode ser utilizada em idosos com alterações cognitivas?
A validação original excluiu indivíduos com comprometimento cognitivo significativo. Portanto, sua utilização deve considerar a avaliação cognitiva e a capacidade de resposta do paciente.
A GPM faz parte da Avaliação Geriátrica Ampla?
Sim. A escala pode ser utilizada como instrumento complementar dentro da Avaliação Geriátrica Ampla para avaliar a dor. Além disso, investigar o seu impacto na funcionalidade e qualidade de vida.
Sugestões de leitura:
Aguiar DS, Pinheiro IM. Multidimensional instruments validated in Brazil for pain evaluation in the elderly: narrative review. BrJP São Paulo 2019; 2(3): 289-92.https://doi.org/10.5935/2595-0118.20190051
Ferrell BA, Stein WM, Beck JC. The Geriatric Pain Measure: validity, reliability, and factor analysis. J Am Geriatr Soc 2000; 48(12): 1669-73. https://doi.org/10.1111/j.1532-5415.2000.tb03881.x
Gambaro RC, Santos FC, Thé KB, Castro LA, Cendoroglo MS. Avaliação de dor no idoso: proposta de adaptação do “Geriatric Pain Measure” para a língua portuguesa. Rev Bras Med (Rio de Janeiro) 2009; 66(1): 62-5.
Motta TS, Gambaro MC, Santos FC. Pain measurement in the elderly: evaluation of psychometric properties of the Geriatric Pain Measure – Portuguese version. Rev Dor São Paulo 2015; 16(2): 136-41. https://doi.org/10.5935/1806-0013.20150026

