Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 10/11/2024
Atualização: 27/03/2026
A Escala Edmonton Symptom Assessment System revisada (ESAS-r) é um instrumento clínico utilizado para avaliar a intensidade de sintomas físicos e psicológicos em pacientes com doenças avançadas especialmente aqueles acompanhados em cuidados paliativos.
Desenvolvida inicialmente no Edmonton General Hospital, no Canadá, a escala foi criada para permitir uma avaliação rápida, simples e padronizada dos principais sintomas que impactam a qualidade de vida dos pacientes.
Na prática clínica, a ESAS-r auxilia profissionais de saúde a identificar a carga de sintomas, acompanhar sua evolução ao longo do tempo e apoiar decisões terapêuticas individualizadas.
Para que serve a Escala ESAS-r?
A principal finalidade da Escala ESAS-r é mensurar a intensidade dos sintomas relatados pelo paciente. Dessa forma, permite monitorar alterações clínicas e avaliar a resposta às intervenções realizadas pela equipe de saúde.
Utiliza-se o instrumento em contextos diferentes contextos, como:
– Cuidados paliativos
– Oncologia
– Atendimento domiciliar
– Consultas ambulatoriais
– Internações hospitalares
– Acompanhamento de pacientes idosos com doenças avançadas
A ESAS-r considera que a percepção dos sintomas é individual. Por isso, sempre que possível, o próprio paciente deve realizar o preenchimento.
Quais sintomas são avaliados pela ESAS-r?
A versão revisada da escala avalia nove sintomas principais e permite acrescentar um sintoma adicional conforme a necessidade clínica. Os sintomas avaliados são:
– Dor
– Cansaço
– Sonolência
– Náusea
– Falta de apetite
– Tristeza
– Ansiedade
– Sensação de bem-estar
– Falta de ar (incluída na versão revisada ESAS-r)
Além disso, é possível incluir um sintoma adicional individualizado, de acordo com a necessidade de cada paciente.
Ademais, dentre as melhorias da versão revisada do instrumento, incluem-se:
– Inclusão de definições curtas para cada sintoma
– Adição do sintoma “falta de ar”
– Possibilidade de personalização com um décimo sintoma
Essas mudanças aumentaram a clareza e a aplicabilidade clínica da escala.
Como funciona a pontuação da Escala ESAS-r?
A ESAS-r utiliza uma escala numérica de 0 a 10 para cada sintoma avaliado:
– 0: ausência do sintoma
– 10: maior intensidade possível do sintoma
O paciente atribui uma nota para cada sintoma considerando sua percepção no momento da avaliação.
Caso algum sintoma não possa ser avaliado, ele pode ser deixado em branco. Inicialmente, utilizava-se uma escala visual-analógica (semelhante à EVA para dor), mas a versão numérica foi adotada por facilitar a aplicação e interpretação dos dados.
Quem pode preencher a ESAS-r?
O preenchimento deve ser realizado preferencialmente pelo próprio paciente, pois os sintomas apresentam caráter subjetivo.
Entretanto, quando existem limitações cognitivas, físicas ou comunicacionais, familiares e profissionais de saúde podem auxiliar no processo.
Qual a frequência de aplicação da ESAS-r?
A frequência de aplicação deve ser definida pela equipe responsável pelo acompanhamento clínico.
A frequência de utilização da escala pode ser:
– Diariamente
– Várias vezes ao dia
– Quando necessário
– Semanalmente
– Durante as consultas
– Sempre que ocorrer mudança no quadro clínico
O objetivo é acompanhar tendências e identificar alterações importantes na evolução dos sintomas.
Limitações da Escala ESAS-r
Apesar de ser uma ferramenta importante para avaliação de sintomas, a ESAS-r não substitui uma avaliação clínica completa.
O instrumento é complementar à anamnese, ao exame físico e ao julgamento clínico da equipe de saúde.
Seu principal benefício está em facilitar o acompanhamento da evolução dos sintomas, identificar padrões e apoiar decisões terapêuticas centradas nas necessidades do paciente.
Escala de Avaliação de Sintomas de Edmonton – revisada (ESAS-r)
Por favor, registre o número que melhor descreve como você está se sentindo agora.
0 = nenhum sintoma · 10 = pior possível
Interpretação*:
A ESAS-r é uma ferramenta essencial para o acompanhamento contínuo de pacientes em cuidados paliativos. Dessa maneira, permite monitorar a intensidade dos sintomas e avaliar a eficácia das intervenções realizadas pela equipe de saúde.
Uma das vantagens da ESAS-r é a possibilidade de visualizar os sintomas graficamente. Essa funcionalidade permite:
– Acompanhar o progresso do paciente ao longo do tempo
– Identificar rapidamente melhorias ou pioras nos sintomas
– Baixar relatórios para documentação clínica e planejamento terapêutico
Por este motivo deixamos a opção de download do gráfico nesta página.
Além disso, a ESAS-r pode ser medida por meio de escores específicos, facilitando a interpretação clínica: escore físico, escore emocional e escore total.
Os seguintes sintomas compõem o escore físico:
– Dor
– Cansaço
– Sonolência
– Náusea
– Apetite
– Falta de ar
O escore emocional inclui:
– Depressão
– Ansiedade
Já o escore total engloba:
– Soma os escores físico e emocional, mais a pontuação do sintoma de bem-estar.
O sintoma opcional do paciente não entra na soma dos escores.
Posteriormente, estudos conduzidos por Hui et al. propuseram pontos de corte para identificar variações clinicamente significativas, tanto para sintomas individuais quanto para os escores totais (vide tabela abaixo). Assim, esses valores auxiliam os profissionais a decidir intervenções adequadas e monitorar mudanças relevantes na condição do paciente.

* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico.
Perguntas frequentes:
O que significa ESAS-r?
ESAS-r significa Edmonton Symptom Assessment System revisada. É uma escala utilizada para medir a intensidade de sintomas físicos e psicológicos em pacientes com doenças avançadas.
A ESAS-r é utilizada apenas em pacientes com câncer?
Não. Embora tenha sido amplamente utilizada inicialmente em oncologia, atualmente também pode ser aplicada em diferentes situações de cuidados paliativos.
A ESAS-r avalia qualidade de vida?
A escala não mede diretamente qualidade de vida, mas avalia sintomas que podem influenciar significativamente o bem-estar e a funcionalidade do paciente.
A ESAS-r pode ser aplicada em idosos?
Sim. A escala pode auxiliar na avaliação de idosos com doenças avançadas, especialmente quando integrada a uma abordagem geriátrica e paliativa.
Sugestões de leitura:
Bruera E, Kuehn N, Miller MJ, Selmser P, Macmillan K. The Edmonton Symptom Assessment System (ESAS): a simple method for the assessment of palliative care patients. J Palliat Care. 1991;7(2):6-9. https://doi.org/10.1177/082585979100700202
Hui D, Shamieh O, Paiva CE, Khamash O, Perez-Cruz PE, Kwon JH et al. Minimal Clinically Important Difference in the Physical, Emotional, and Total Symptom Distress Scores of the Edmonton Symptom Assessment System. J Pain Symptom Manage 2016; 51(2): 262-9. https://doi.org/10.1016/j.jpainsymman.2015.10.004
Hui D, Bruera E. The Edmonton Symptom Assessment System 25 Years Later: Past, Present, and Future Developments. J Pain Symptom Manage 2017; 53(3): 630-643. https://doi.org/10.1016/j.jpainsymman.2016.10.370
Monteiro DR, Kruse MHL, Almeida MA. Avaliação do Instrumento Edmonton Symptom Assessment System em cuidados paliativos: revisão integrativa. Rev Gaúcha Enferm 2010; 31(4): 785-93. https://doi.org/10.1590/S1983-14472010000400024
Monteiro DR, Almeida MA, Kruse MHL. Tradução e Adaptação Transcultural do Instrumento Edmonton Symptom Assessment System para uso em Cuidados Paliativos. Rev Gaúcha Enferm 2013; 34(2): 163-171. https://doi.org/10.1590/S1983-14472013000200021
Nekolaichuk C, Beaumont C, Watanabe S, Buttenschoen D. Edmonton Symptom Assessment System revised (ESAS-r) – Administration Manual: Alberta Health Services (AHS) Edmonton Zone Palliative Care Program; 2019. Disponível em: https://www.albertahealthservices.ca/assets/info/peolc/if-peolc-ed-esasr-admin-manual.pdf. Acessado em 07/11/2024.
Watanabe SM, Nekolaichuk C, Beaumont C, Johnson L, Myers J, Strasser F. A multicenter study comparing two numerical versions of the Edmonton Symptom Assessment System in palliative care patients. J Pain Symptom Manage 2011; 41(2): 456-68. https://doi.org/10.1016/j.jpainsymman.2010.04.020

