Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 25/01/2025
Atualização: 18/03/2026
O que é o Escore Isquêmico de Hachinski?
O Escore Isquêmico de Hachinski (HIS) é um instrumento clínico utilizado para auxiliar no diagnóstico diferencial entre a doença de Alzheimer e a demência vascular. Desenvolvido por Hachinski e colaboradores em 1975. Assim, o escore estima a probabilidade de o comprometimento cognitivo ter origem vascular com base em informações obtidas na anamnese e no exame físico.
A diferenciação entre essas condições pode ser desafiadora, pois ambas compartilham fatores de risco, como idade avançada e síndrome metabólica, além de frequentemente coexistirem na demência mista, caracterizada pela presença simultânea de alterações neurodegenerativas e vasculares.
Para que serve o Escore de Hachinski?
O principal objetivo do HIS é auxiliar o profissional de saúde na diferenciação entre quadros predominantemente degenerativos e aqueles com provável origem vascular. Embora tenha sido desenvolvido para identificar a demência por múltiplos infartos, atualmente é utilizado como ferramenta complementar na avaliação de pacientes com suspeita de demência vascular ou demência mista.
Além disso, é importante destacar que o escore não estabelece o diagnóstico isoladamente e deve ser interpretado em conjunto com a história clínica, o exame físico, a avaliação cognitiva e, quando indicado, exames de neuroimagem.
Como é calculado o escore?
O Escore Isquêmico de Hachinski é composto por 13 itens obtidos por meio da anamnese e do exame físico. Cinco itens recebem dois pontos quando presentes, enquanto os demais recebem um ponto.
No estudo original, pacientes com doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, apresentavam pontuações de até 4 pontos, enquanto indivíduos com demência por múltiplos infartos geralmente obtinham 7 pontos ou mais. Logo, quanto maior a pontuação, maior a probabilidade de comprometimento cognitivo de origem vascular.
Acurácia diagnóstica
A precisão do HIS varia conforme os critérios utilizados, que podem ser clínicos, de imagem ou histopatológicos. A ausência de um padrão-ouro para o diagnóstico da demência vascular e suas múltiplas apresentações (múltiplos infartos, infartos estratégicos ou doença microvascular de substância branca) dificultam comparações entre tipos de demência:
– Comparando quadros degenerativos vs. não degenerativos: sensibilidade entre 52% e 100%; especificidade entre 39% e 100%.
– Comparando quadros vasculares vs. não vasculares: sensibilidade entre 24% e 100%; especificidade entre 50% e 100%.
Embora originalmente desenvolvido para identificar demência por múltiplos infartos, o HIS é útil como ferramenta complementar para diferenciar quadros vasculares (demência multi-infarto ou mista) de quadros puramente degenerativos.
Limitações
Desde sua publicação, o Escore Isquêmico de Hachinski recebeu críticas relacionadas principalmente aos critérios de pontuação e à ausência de orientações detalhadas para sua aplicação. Além disso, o instrumento foi desenvolvido em uma época em que a tomografia computadorizada e a ressonância magnética ainda não faziam parte da avaliação rotineira dos pacientes com demência, razão pela qual critérios baseados em neuroimagem não foram incorporados.
Posteriormente, modificações foram propostas por Rosen (1980), Loeb (1983) e Fischer (1991), buscando aprimorar sua aplicabilidade clínica.
Conclusão
Por fim, o Escore Isquêmico de Hachinski permanece como uma ferramenta complementar relevante na Avaliação Geriátrica Ampla. Dessa forma, quando utilizado em conjunto com a avaliação clínica, testes cognitivos e exames de neuroimagem, pode contribuir para diferenciar demência vascular, doença de Alzheimer e demência mista, orientando a investigação diagnóstica e o planejamento terapêutico.
Escore Isquêmico de Hachinski
Interpretação*:
O Escore Isquêmico de Hachinski tem os seguinte pontos de corte:
Quatro pontos ou menos: sugestivo de demência degenerativa primária
Cinco ou seis pontos: não classificável
Sete pontos ou mais: sugestivo de demência vascular (múltiplos infartos)
Salienta-se que a avaliação seriada é mais crucial do que uma única aplicação pontual do instrumento. Além disso, destaca-se a possibilidade de variação de resultados entre examinadores.
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Logo, devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico.
Perguntas frequentes:
O Escore Isquêmico de Hachinski confirma o diagnóstico de demência vascular?
Não. O escore apenas estima a probabilidade de comprometimento cognitivo de origem vascular. Além disso, deve ser interpretado em conjunto com a avaliação clínica e exames complementares.
O Escore de Hachinski ainda é utilizado?
Sim. O instrumento continua sendo útil como ferramenta complementar no diagnóstico diferencial das demências, especialmente quando há suspeita de componente vascular. Contudo, apresenta limitações e não incorporou avanços recentes de métodos de neuroimagem.
Qual é a principal aplicação do Escore Isquêmico de Hachinski?
Seu principal uso é auxiliar na diferenciação entre doença de Alzheimer, demência vascular e demência mista. Assim, contribui para uma avaliação diagnóstica mais abrangente.
Sugestões de leitura:
Dening TR, Berrios GE. The Hachinski Ischaemic Score: A reevaluation. Int J Geriatr Psychiatr 1992; 7(8): 585-589. https://doi.org/10.1002/gps.930070808.
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