Por: Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 23/10/2025
Atualização: 16/04/2026
A dor neuropática é uma dor causada por lesão ou doença que acomete o sistema nervoso somatossensorial, responsável pela percepção dos estímulos sensoriais. Diferentemente da dor nociceptiva, que resulta da ativação de nociceptores em resposta a lesões teciduais, e da dor nociplástica, relacionada à alteração no processamento da dor sem lesão evidente do sistema nervoso, a dor neuropática decorre diretamente de alterações estruturais ou funcionais das vias nervosas.
Trata-se de uma condição clínica complexa, cuja fisiopatologia ainda não é completamente compreendida. Pode se manifestar de forma aguda ou persistente e, em muitos pacientes, permanece por meses ou anos após a lesão inicial devido a mecanismos de sensibilização periférica e central, que amplificam a percepção dolorosa.
Qual é a sua prevalência?
Estima-se que o quadro acometa entre 7% e 10% da população mundial. Sua prevalência aumenta com o envelhecimento, especialmente após os 50 anos, tornando-se um problema frequente na prática geriátrica.
Além da dor, essa condição está associada a importantes repercussões clínicas, incluindo:
– Redução da funcionalidade
– Diminuição da produtividade
– Maior uso de serviços de saúde
Também é comum a associação com:
– Transtornos de ansiedade e humor
– Alterações cognitivas
– Insônia
– Piora da qualidade de vida
Quais são as causas da dor neuropática?
Este tipo de dor resulta de lesão ou disfunção do sistema nervoso somatossensorial, podendo ser de origem periférica, central ou outras causa. Dentre as causas de origem periférica há:
– Neuropatia diabética
– Neuropatias periféricas diversas
– Trauma nervoso
Já entre as causas de origem central destacam-se:
– Acidente vascular cerebral
– Esclerose múltipla
– Lesões medulares
Por outro lado, outras causas podem ser:
– Cirurgias
– Hérnia de disco
– Infecção por herpes-zóster
– Neuropatias induzidas por medicamentos
Quais são os sintomas da dor neuropática?
A apresentação clínica é variável. Os sintomas podem ser contínuos ou intermitentes, espontâneos ou provocados. Podendo os sintomas ser de característica positiva ou negativa. Os sintomas positivos são relacionados ao aumento da sensibilidade:
– Alodinia: dor a estímulos não dolorosos
– Hiperalgesia: resposta exagerada à dor
– Dor espontânea: queimação, formigamento, choque
Enquanto que os sintomas negativos relacionam-se à perda de sensibilidade:
– Hipoestesia: redução da sensibilidade tátil
– Hipoalgesia: redução da percepção dolorosa
Quais doenças estão frequentemente associadas à dor neuropática?
Algumas doenças apresentam padrões típicos, como:
– Neuralgia do trigêmeo
– Polineuropatia dolorosa
– Neuralgia pós-herpética
– Dor neuropática central
Como é feito o diagnóstico da dor neuropática?
O diagnóstico da é essencialmente clínico. Atualmente, não há exames laboratoriais considerados padrão-ouro. A avaliação clínica detalhada e a anamnese são fundamentais.
Durante a avaliação, o profissional deve investigar:
– Características da dor
– Tempo de evolução
– Distribuição anatômica
– Fatores desencadeantes
– Fatores de alívio
– Doenças associadas
– Impacto funcional.
O exame físico deve incluir a avaliação da sensibilidade tátil, térmica, dolorosa e vibratória, além da pesquisa de alodinia, hiperalgesia e déficits sensitivos.
Quando necessário, exames complementares, como eletroneuromiografia e métodos de imagem, podem auxiliar na investigação da doença de base, embora não confirmem isoladamente o diagnóstico.
Instrumentos de avaliação
Diversos instrumentos validados auxiliam na identificação da entidade, tanto na prática clínica quanto na pesquisa.
Os mais utilizados são:
– Douleur Neuropathique 4 (DN4)
– Leeds Assessment of Neuropathic Symptoms and Signs (LANSS)
– Neuropathic Pain Symptoms Inventory (NPSI)
Essas escalas aumentam a probabilidade diagnóstica quando interpretadas em conjunto com a avaliação clínica, mas não substituem o julgamento do profissional de saúde.
Como é realizado o tratamento da dor neuropática?
O tratamento deve ser individualizado e multidimensional, considerando a causa da dor, sua intensidade, as comorbidades e os objetivos terapêuticos do paciente.
Dada sua ampla variabilidade clínica e fisiopatológica, o tratamento requer uma abordagem multidimensional, englobando estratégias farmacológicas e não farmacológicas.
Entre os fármacos mais utilizados estão antidepressivos, anticonvulsivantes, opioides e agentes tópicos (como a capsaicina).
Já entre as medidas não farmacológicas incluem terapias de neuromodulação, fisioterapia e reabilitação, procedimentos cirúrgicos (como bloqueios nervosos e talamotomias) e psicoterapia.
Perguntas frequentes:
O que caracteriza a dor neuropática?
A dor neuropática é causada por lesão ou doença que acomete o sistema nervoso somatossensorial e costuma manifestar-se como queimação, choque, formigamento, alodinia ou hiperalgesia.
Como diferenciar dor neuropática de dor nociceptiva?
A dor nociceptiva decorre da ativação de nociceptores por lesão tecidual, enquanto a dor neuropática resulta de alterações estruturais ou funcionais do sistema nervoso. A avaliação clínica é fundamental para estabelecer essa diferenciação.
Existe exame que confirme o diagnóstico?
Não. Atualmente, não há exames laboratoriais ou biomarcadores considerados padrão-ouro para o diagnóstico da dor neuropática. O diagnóstico é predominantemente clínico.
Quais escalas auxiliam na avaliação da dor neuropática?
Os instrumentos mais utilizados são o DN4, o LANSS e o NPSI, que auxiliam na identificação da dor neuropática quando interpretados em conjunto com a avaliação clínica.
A dor neuropática tem tratamento?
Sim. O tratamento combina estratégias farmacológicas e não farmacológicas, devendo ser individualizado conforme a etiologia, a intensidade dos sintomas e as características do paciente.
Sugestões de leitura:
Attal N, Bouhassira D, Colvin L. Advances and challenges in neuropathic pain: a narrative review and future directions. Br J Anaesth 2023; 131(1): 79-92. http://doi.org/10.1016/j.bja.2023.04.021
Campos LO, Carvalho GHV, Araújo JVG, Ramalho VM, Baia BD, Oliveira AMS et al. Dor neuropática – perspectivas atuais e desafios futuros. Braz J Develop 2023; 9(3): 9691 – 9704. https://doi.org/10.34117/bjdv9n3-055

