Escala FRAIL
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 07/06/2024
Atualização: 05/05/2026
A Escala FRAIL é um instrumento simples e rápido para avaliação da fragilidade em idosos. Desde as publicações de Linda Fried (2001) e Kenneth Rockwood, diferentes métodos foram propostos para classificar a fragilidade. Tais como o modelo fenotípico e o índice de fragilidade.
Assim, a Escala FRAIL se destaca como um instrumento híbrido. Ela combina características do fenótipo de fragilidade com elementos do índice de fragilidade. Logo, permite uma abordagem prática e acessível na avaliação clínica.
A Escala FRAIL é composta por cinco itens avaliados de forma dicotômica (sim ou não). Por isso, cada resposta positiva recebe um ponto. Assim, os componentes incluem:
– Fadiga
– Resistência
– Deambulação
– Número de doenças
– Perda de peso
Quatro desses critérios são baseados no modelo fenotípico proposto por Fried, enquanto o item relacionado ao número de doenças deriva do índice de fragilidade.
A pontuação total permite classificar o idoso em três categorias:
– 0 pontos: robusto
– 1 a 2 pontos: pré-frágil
– 3 ou mais pontos: frágil
Essa classificação auxilia na identificação precoce de pacientes em risco, contribuindo para o planejamento de intervenções clínicas. Além disso, este instrumento está relacionado com mortalidade, incapacidade física e dependência funcional.
Aprahamian et al. (2017), avaliando população brasileira, comparou a escala FRAIL com a proposta por Fried et al., encontrando uma moderada acurácia diagnóstica através de análise de curva ROC (ASC 0.681; IC 0.578-0.784). Então, utilizando um ponto de corte em 03 pontos, a sensibilidade foi de 28% e a especificidade de 90% (P=0.049).
Por fim, a principal vantagem da Escala FRAIL é sua facilidade de aplicação. Além disso, o instrumento:
– Pode ser aplicado rapidamente
– Não requer exames complementares
– Dispensa equipamentos específicos, como dinamômetro
– É adequado para diferentes cenários clínicos
Logo, por essas características, a Escala FRAIL é especialmente útil na triagem de fragilidade em idosos, tanto em ambientes ambulatoriais quanto hospitalares.
Escala FRAIL-BR
F (fadigue) — Você se sente cansado na maior parte do tempo?
R (resistance) — Você tem dificuldade para subir um lance de escadas (dez ou mais degraus)?
A (ambulation) — Você tem dificuldade em andar um quarteirão?
I (illness) — Você apresenta cinco ou mais das seguintes doenças? Hipertensão arterial, diabetes mellitus, neoplasia (excetuando carcinoma espino/basocelular), insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, osteoartrite, acidente vascular encefálico, doença renal crônica
L (loss) — Você perdeu mais do que 5% do peso corporal no último ano?
Interpretação*:
A FRAIL-BR é de fácil aplicação e interpretação, conforme a seguir:
Zero ponto: indivíduo robusto
Um ou dois pontos: indivíduo pré-frágil
Três ou mais pontos: indivíduo frágil
Contudo, ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Assim, devem ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Referências:
Aprahamian I, Cezar NOC, Izbicki R et al. Screening for frailty with the FRAIL Scale: A comparison with the phenotype criteria. J Am Med Dir Assoc 2017; 18(7):592-596. https://doi.org/10.1016/j.jamda.2017.01.009
Fried LP, Tangen CM, Walston J, et al. Frailty in older adults: evidence for a phenotype. J Gerontol A Biol Sci Med Sci 2001; 56: 146–56. https://doi.org/10.1093/gerona/56.3.m146
Mitnitski AB, Mogilner AJ, Rockwood K. Accumulation of deficits as a proxy measure of aging. Sci World J 2001; 1: 323–36. https://doi.org/10.1100/tsw.2001.58
van Kan GA, Rolland Y, Bergman H et al. The I.A.N.A. Task Force on frailty assessment of older people in clinical practice. J Nutr Health Aging 2008; 12 (1):29-37. https://doi.org/10.1007/bf02982161
van Kan GA, Rolland YM, Morley JE et al. Frailty: toward a clinical definition. J Am Med Dir Assoc 2008; 9(2):71-2. https://doi.org/10.1016/j.jamda.2007.11.005