Índice de Barthel
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 16/01/2024
Atualização: 07/05/2026
O Índice de Barthel é um instrumento amplamente utilizado para avaliar funcionalidade de Atividades Básicas de Vida Diária (ABVDs). Além disso, mede o grau de independência funcional do paciente. Assim, é uma escala especialmente importante na geriatria, reabilitação e acompanhamento clínico de pessoas idosas.
Desenvolvido na década de 1950 em hospitais de Maryland, nos Estados Unidos, o Índice de Barthel foi criado para avaliar pacientes com doenças neuromusculares e musculoesqueléticas. Desde então, tornou-se uma das principais ferramentas para monitorar a evolução funcional durante processos de reabilitação.
Além disso, o instrumento permite comparar o nível de independência do paciente entre a admissão hospitalar e a alta para o domicílio.
O Índice de Barthel é composto por dez itens relacionados às atividades básicas do cotidiano. Cada atividade recebe uma pontuação de acordo com o nível de dependência funcional do indivíduo. Os principais domínios avaliados são:
– Alimentação
– Transferência da cama para cadeira
– Higiene pessoal
– Uso do vaso sanitário
– Banho
– Deambulação em superfície plana
– Subir e descer escadas
– Vestir-se
– Continência fecal
– Continência vesical
Cada item possui pontuação variável entre zero e quinze pontos, conforme a capacidade funcional do paciente.
A pontuação total do Índice de Barthel varia de 0 a 100 pontos. Então, quanto maior a pontuação, maior o grau de independência funcional. A pontuação máxima é atribuída apenas quando o paciente realiza a atividade sem ajuda, supervisão ou assistência mínima.
O Índice de Barthel é uma ferramenta essencial na avaliação geriátrica ampla. Logo, seu uso auxilia profissionais da saúde na identificação de limitações funcionais, no planejamento terapêutico e no acompanhamento da evolução clínica do idoso. Além disso, a escala contribui para:
– Monitorar resultados de reabilitação
– Avaliar necessidade de cuidadores
– Identificar risco de perda funcional
– Planejar alta hospitalar
– Definir estratégias de cuidado individualizado
Índice de Barthel
Interpretação*:
Não há consenso quanto à pontos de corte para o uso do Índice de Barthel. Geralmente, pontuações abaixo de 50 indicam dependência para ABVD.
Contudo, Shah et al. (1989) propõe uma estratificação para os pacientes submetido à análise. No entanto, o mesmo autor sugere uma pontuação diferente da original para os itens avaliados:
0 – 20 pontos: Dependência total
21 a 60 pontos: Dependência grave
61 a 90 pontos: Dependência moderada
91 – 99 pontos: Dependência leve
100 pontos: Independente
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a mudanças funcionais ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Devendo ser interpretados sob a luz de julgamento clínico.
Referências:
Araujo EAT, Lima Filho BF, Silva ACMB, Melo MCS, Gazzola JM, Cavalcanti FAC. A utilização do Índice de Barthel em idosos brasileiros: uma revisão de literatura. Revista Kairós-Gerontologia 2020;23(2), 217-231. https://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/article/view/50360
Mahoney FI, Barthel DW. Functional Evaluation: The Barthel Index. Md State Med J 1965; 14: 61-65. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14258950/
Minosso JSM, Amendola F, Alvarenga MRM, Oliveira MAC. Validação, no Brasil, do Índice de Barthel em idosos atendidos em ambulatórios. Acta Paul Enferm 2010; 23(2): 218-23. https://doi.org/10.1590/S0103-21002010000200011
Shah S, Vanclay F, Cooper B. Improving the sensitivity of the Barthel Index for stroke rehabilitation. J Clin Epidemiol 1989; 42(8): 703-709. https://doi.org/10.1016/0895-4356(89)90065-6
Vilela Jr GB, von Stockler S, Duvalier AM. Avaliação e Validação da escala Barthel para a língua portuguesa falada no Brasil. Revista CPAQV 2009; 1(2). https://revista.cpaqv.org/index.php/CPAQV/article/view/589