Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 08/05/2026
Atualização: 25/07/2026
As ABVDs fazem parte da avaliação funcional do idoso. Assim, são um processo utilizado para determinar a capacidade de uma pessoa realizar as atividades do cotidiano de forma independente. Trata-se de um dos pilares da Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), pois permite identificar limitações funcionais, orientar o planejamento terapêutico, definir estratégias de reabilitação e monitorar a evolução clínica ao longo do tempo.
A redução da capacidade funcional está associada a maior risco de hospitalização, institucionalização, perda da autonomia, pior qualidade de vida e aumento da mortalidade. Por esse motivo, a avaliação funcional deve fazer parte da rotina assistencial de todos os idosos.
O que são as atividades básicas de vida diária (ABVD)?
As atividades básicas de vida diária (ABVDs) correspondem às habilidades essenciais de autocuidado necessárias para a manutenção da independência funcional. Elas incluem:
– Higiene pessoal
– Vestimenta
– Transferência
– Alimentação
– Continência
– Banho.
A avaliação das ABVDs permite identificar o grau de dependência do idoso e estimar sua necessidade de suporte para as atividades essenciais do dia a dia.
O que são as atividades instrumentais de vida diária (AIVD)?
As atividades instrumentais de vida diária (AIVDs) envolvem tarefas mais complexas, necessárias para que o indivíduo viva de forma independente na comunidade. Logo, envolve diversas atividades como:
– Uso de transporte
– Manejo de finanças
– Preparo de refeições
– Uso de medicamentos
– Realização de compras
– Utilização de telefone.
Como exigem maior integração entre funções cognitivas, motoras e sociais, as AIVDs costumam apresentar comprometimento antes das ABVDs em diversas condições clínicas.
Importância da avaliação funcional
A avaliação funcional possui grande relevância clínica porque auxilia na identificação precoce de perda da independência e está relacionada a diversos desfechos importantes, como:
– Aumento da mortalidade
– Maior tempo de internação
– Risco de institucionalização
– Perda de autonomia
– Pior qualidade de vida.
Além disso, os resultados da avaliação funcional orientam o planejamento terapêutico, a definição de metas de reabilitação e o acompanhamento da resposta às intervenções.
Principais causas de perda da capacidade funcional
Diversas condições podem comprometer a funcionalidade do idoso. Entre as causas físicas, destacam-se:
– Doenças músculo-esqueléticas
– Síndromes neurológicas (como os distúrbios de movimento)
– Alterações perfusionais de membros
– Sarcopenia
– Fragilidade
Por outro lado, alterações na cognição, especialmente em quadros avançados de demência, frequentemente levam à perda funcional progressiva. Além disso, transtornos de humor, isolamento social e depressão também podem contribuir para redução da independência funcional.
A piora funcional também pode estar relacionada ao uso de medicamentos, principalmente:
– Sedativos-hipnóticos
– Anticolinérgicos
– Anti-hipertensivos
– Psicotrópicos.
Logo, a revisão medicamentosa faz parte da avaliação geriátrica.
Papel da equipe multiprofissional
A avaliação funcional e a reabilitação do idoso exigem uma abordagem multiprofissional. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, nutricionistas, assistentes sociais e outros profissionais da gerontologia atuam de forma integrada para preservar a capacidade funcional, promover a independência e melhorar a qualidade de vida.
Principais instrumentos de avaliação funcional
Entre os instrumentos mais utilizados para avaliação das ABVDs destacam-se:
– Índice de Barthel
– Índice de Katz
Para a avaliação das atividades instrumentais de vida diária, o instrumento mais empregado é a Escala de Lawton e Brody, que complementa a análise da capacidade funcional e auxilia na identificação precoce de perda da independência.
Perguntas frequentes:
O que é avaliação funcional do idoso?
É o processo que avalia a capacidade do idoso de realizar atividades cotidianas de forma independente, permitindo identificar limitações e orientar o cuidado.
Qual é a diferença entre ABVD e AIVD?
As ABVDs avaliam atividades básicas de autocuidado, enquanto as AIVDs analisam tarefas mais complexas necessárias para a vida independente na comunidade.
Quais escalas são utilizadas na avaliação funcional?
As principais são o Índice de Barthel, o Índice de Katz e a Escala de Lawton e Brody.
Por que a avaliação funcional é importante?
Porque auxilia na identificação precoce da perda de independência, orienta o planejamento terapêutico, direciona a reabilitação e contribui para a prevenção de desfechos adversos, como hospitalização, institucionalização e declínio da qualidade de vida.
Sugestões de leitura:
Andrzej Klimczuk. Activities of Daily Living. In: The Wiley Blackwell Encyclopedia of Family Studies. Edited by Constance L. Shehan. March 2016. Hoboken (NJ): Wiley-Blackwell. https://doi.org/10.1002/9781119085621.wbefs143
Edemekong PF,Bomgaars DB,Sukumaran S, Schoo C.(2026). Activities of Daily Living. In StatPearls. StatPearls Publishing. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470404/

