Índice de Katz
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 12/01/2024
Atualização: 08/05/2026
O Dr. Sidney Katz desenvolveu o Índice de Katz no final da década de 1950, durante sua atuação no Benjamin Rose Hospital. Contudo, o instrumento foi publicado oficialmente em 1963 e tornou-se uma das principais ferramentas de avaliação da funcionalidade do idoso.
A criação da escala foi inspirada na observação da recuperação funcional de pacientes em reabilitação após fraturas de quadril. Desde então, o Índice de Katz passou a ser amplamente utilizado na prática clínica, especialmente na geriatria e gerontologia.
O Índice de Katz avalia a capacidade funcional do paciente nas Atividades Básicas de Vida Diária (ABVDs). Assim, essas atividades são essenciais para a autonomia e sobrevivência do indivíduo. Logo, a escala permite identificar o grau de independência funcional do idoso e auxilia profissionais de saúde na elaboração do plano terapêutico, no acompanhamento clínico e na tomada de decisões relacionadas ao cuidado.
Então, instrumento avalia seis atividades básicas de vida diária:
– Banho
– Vestir-se
– Uso de vaso sanitário
– Transferência
– Continência
– Alimentação
Avalia-se cada atividade de forma dicotômica. O paciente é classificado como dependente ou independente. A avaliação segue uma hierarquia funcional. Assim, as atividades mais complexas são analisadas primeiro, começando pelo banho e terminando na alimentação, considerada a função mais básica.
O Índice de Katz é uma ferramenta simples, rápida e amplamente validada para avaliação funcional do idoso. Por isso, sua utilização contribui para:
– Identificação precoce da perda funcional
– Planejamento do cuidado multidisciplinar
– Monitoramento da evolução clínica
– Definição do grau de dependência
– Apoio à Avaliação Geriátrica Ampla (AGA)
Índice de Katz
Banho:
Vestimenta:
Uso do vaso sanitário:
Transferência:
Continência:
Alimentação:
Interpretação*:
Nos textos originais, os indivíduos avaliados eram classificados em sete grupos (grupo A ao grupo G), com um oitavo grupo denominado ‘Outros’. Assim, o primeiro grupo indicava total independência em todas as atividades, enquanto o grau de dependência aumentava até o grupo G.
Posteriormente, houve uma evolução com a eliminação do grupo ‘Outros’ e a transição de letras para números nos demais grupos. O grupo zero passou a representar total independência, ao passo que o grupo seis reflete a dependência máxima, indicando a quantidade de domínios nos quais o paciente é dependente.
Contudo, uma interpretação alternativa, proposta pelo Hartford Institute for Geriatric Nursing, atribui um ponto para cada domínio considerado independente. Logo, essa pontuação está associada ao grau de independência, como segue:
Seis pontos: Totalmente independente
Três a cinco pontos: Dependência moderada
Um a dois pontos: Dependência grave
Zero ponto: Dependência total
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento. Além disso, o julgamento quanto a mudanças funcionais ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Assim, devem ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Sugestões de leitura:
Duarte YAO, Andrade CL, Lebrão ML. O índice de Katz na avaliação da funcionalidade dos idosos. Rev Esc Enferm USP 2007; 41(2): 317-325. https://doi.org/10.1590/S0080-62342007000200021
Katz S, Ford AB, Moskowitz RW, Jackson BA, Jaffe MW. Studies of illness in the aged. The index of ADL: A standardized measure of biologics and psychosocial function. JAMA 1963;185: 914-919. https://doi.org/10.1001/jama.1963.03060120024016
Katz S, Downs TD, Cash HR, Grotz RC. Progress in development of the index of ADL. Gerontologist 1970; 10(1):20-30. https://doi.org/10.1093/geront/10.1_part_1.20
Katz S, Akpom CA. A measure of primary sociobiological functions. Int J Health Serv. 1976; 6(3): 493-508. https://doi.org/10.2190/uurl-2ryu-wryd-ey3k
Lino VTS, Pereira SRM, Camacho LAB, Ribeiro Filho ST, Buksman S. Adaptação transcultural da escala de independência em atividades de vida diária (Escala de Katz). Cad Saúde Pública 2008; 24(1):103-112. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2008000100010