Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 31/07/2024
Atualização: 20/01/2026
Ansiedade no idoso
A ansiedade no idoso é um estado emocional caracterizado por preocupação, apreensão e tensão diante de situações percebidas como ameaçadoras. Logo, trata-se de uma resposta fisiológica presente em indivíduos de todas as faixas etárias. Entretanto, torna-se patológica quando causa sofrimento significativo ou compromete a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida.
Em níveis proporcionais ao estímulo, ela exerce um papel adaptativo e apresenta efeitos benéficos, como:
– aumentar a atenção diante de possíveis perigos
– favorecer o planejamento para enfrentar situações adversas
– preparar o organismo para responder a ameaças
Por outro lado, quando a intensidade ou a duração do sintoma é desproporcional ao contexto, podem surgir prejuízos emocionais, físicos e funcionais.
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) no idoso
O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é o transtorno de ansiedade mais frequente na população idosa. Assim, caracteriza-se por preocupação excessiva, persistente e de difícil controle relacionada a diferentes aspectos do cotidiano.
Entre os principais sintomas observados em idosos destacam-se:
– tensão muscular
– irritabilidade
– inquietação
– sintomas autonômicos
– sudorese
– náuseas
– diarreia
– cefaleia
– distúrbios do sono
– dificuldade de concentração
A prevalência do TAG é estimada em aproximadamente 11% entre idosos da comunidade. Contudo, pode acometer cerca de 19% dos indivíduos na presença de doenças crônicas.
Os principais fatores de risco incluem:
– sexo feminino
– doenças crônicas físicas
– transtornos mentais
– eventos adversos ao longo da vida
– perda de autonomia e funcionalidade
Conceitos importantes
– Ansiedade difere do medo por ser um sentimento difuso, sem relação com um objeto específico
– Medo é uma resposta proporcional a uma circunstância ou objeto reais
– Fobia é um temor desproporcional e sem necessariamente ter relação direta com um perigo real
– Pânico: episódio de ansiedade intensa, associado a sintomas adrenérgicos.
Avaliação na Avaliação Geriátrica Ampla
Durante a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), recomenda-se o uso de instrumentos validados para rastreamento e acompanhamento dos sintomas ansiosos.
Dentre os instrumentos mais utilizados para o rastreio e acompanhamento estão:
– GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder scale – 7 item – Escala de ansiedade generalizada)
– GAI (Geriatric Anxiety Inventory – Inventário de ansiedade geriátrica
Essas escalas auxiliam na identificação precoce do quadro, no monitoramento da evolução clínica e na avaliação da resposta ao tratamento.
Medo de cair
Entre as diferentes fobias, o medo de cair é uma das manifestações mais frequentes na população idosa.
Esse medo pode estar associado à redução do equilíbrio, à diminuição da confiança para caminhar, ao histórico de quedas e ao comprometimento funcional. Como consequência, muitos idosos passam a restringir suas atividades, favorecendo perda de mobilidade, sarcopenia, isolamento social e maior risco de novas quedas.
Perguntas frequentes
O que é ansiedade no idoso?
É uma resposta emocional caracterizada por preocupação e apreensão. Torna-se patológica quando provoca sofrimento significativo ou prejuízo funcional.
Qual é o transtorno de ansiedade mais comum no idoso?
O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é o transtorno mais frequente nessa população.
Qual a diferença entre ansiedade e medo?
A ansiedade ocorre sem um objeto específico, enquanto o medo representa uma resposta a uma ameaça real e identificável.
Sugestões de leitura:
Frota IJ, Fé AACM, Paula FTM, Moura VEGS, Campos EM. Transtornos de ansiedade: histórico, aspectos clínicos e classificações atuais. J Health Biol Sci 2022; 10(1):1-8. https://doi.org/10.12662/2317-3076jhbs.v10i1.3971.p1-8.2022
Ramos K, Stanley MA. Anxiety disorders in late life. Clin Geriatr Med 2020; 36: 237-246. https://doi.org/10.1016/j.cger.2019.11.005
Vasiliadis H, Desjardins F, Roberge P, Grenier S. Sex differences in anxiety disorders in older adults. Curr Psychiatr Rep 2020; 22: 75. https://doi.org/10.1007/s11920-020-01203-x

