Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 13/08/24
Atualização: 02/02/26
O Geriatric Anxiety Inventory (GAI) é uma escala desenvolvida para o rastreamento de sintomas de ansiedade em idosos. Logo, o instrumento auxilia profissionais de saúde e estudantes na identificação de sintomas ansiosos durante a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA). Embora os transtornos de ansiedade estejam associados ao aumento da morbidade, à redução da funcionalidade e à piora da qualidade de vida da pessoa idosa, ainda existem poucos instrumentos específicos para essa população quando comparados às escalas destinadas à avaliação do humor e da cognição.
O que é o Geriatric Anxiety Inventory (GAI)?
O Geriatric Anxiety Inventory (GAI) foi desenvolvido por Pachana et al. (2007) para ser um instrumento de fácil aplicabilidade. A escala possui 20 itens, avaliados de forma dicotômica (“concordo” ou “discordo”), podendo ser:
– Autoaplicável
– Aplicado por um profissional de saúde
– Administrado de forma oral ou por registro escrito
Assim, essa flexibilidade amplia sua utilização em diferentes cenários clínicos, acadêmicos e de pesquisa, especialmente no contexto da Avaliação Geriátrica Ampla.
Características clínicas do GAI
O GAI minimiza a influência de sintomas somáticos. Por isso, garante resultados mais confiáveis em idosos com condições clínicas diversas. Ele avalia sintomas comuns de ansiedade, mas não tem finalidade diagnóstica de transtornos específicos. Indica-se o uso como ferramenta de rastreio e acompanhamento clínico.
Como aplicar o Geriatric Anxiety Inventory
O examinador deve orientar o idoso a responder como se sentiu na última semana, marcando “concordo” ou “discordo” para cada questão. Logo, a clareza do instrumento facilita a compreensão, mesmo em pessoas com menor escolaridade.
O GAI pode ser utilizado em contextos de ensino, pesquisa ou clínicos, mas é necessário solicitar autorização junto à Universidade de Queensland por meio do site oficial: https://gai.net.au.
Interpretação*:
Apresentamos dois pontos de corte descritos na literatura. Um deles foi pelos autores originais e outro por trabalho em população brasileira.
Pachana et al (Austrália – 2007)
Ponto de corte: 11 pontos ou mais (Sensibilidade 73%, Especificidade 80%)
Massena et al. (Brasil – 2014)
Ponto de corte: 13 pontos (Sensibilidade 83,3%, Especificidade 84,6%)
Ressalta-se que, mais importante do que avaliações e classificações pontuais, é a aplicação seriada do instrumento e o julgamento quanto a variações ao longo do tempo.
* Salienta-se que os instrumentos de avaliação geriátrica devem ser utilizados em conjunto com anamnese e exame físico. Contudo deve ser interpretados sob a luz de julgamento clínico
Perguntas frequentes
O GAI pode diagnosticar transtornos de ansiedade?
Não. O GAI é um instrumento de rastreamento e utilizado em conjunto com a avaliação clínica.
Quantos itens compõem o GAI?
O instrumento tem por 20 perguntas respondidas com “concordo” ou “discordo”.
Quem pode aplicar o GAI?
O GAI pode ser autoaplicado ou administrado por profissionais de saúde, de forma oral ou escrita, conforme as características do paciente e do contexto de avaliação.
Sugestões de leitura:
Martiny C, Silva ACO, Nardi AE, Pachana NA. Tradução e adaptação transcultural da versão brasileira do Inventário de Ansiedade Geriátrica (GAI). Rev Psiq Clin 2011; 38(1): 8-12. https://doi.org/10.1590/S0101-60832011000100003.
Massena PN, Araújo NB, Pachana N, Laks J, Pádua AC. Validation of the Brazilian Portuguese Version of Geriatric Anxiety Inventory – GAI-BR. Int Psychogeriatr 2015; 27(7): 1113-9. https://doi.org/10.1017/s1041610214001021.
Pachana NA, Byrne GJ, Siddle H, Koloski N, Harley E, Arnold E. Development and validation of the Geriatric Anxiety Inventory. Int Psychogeriatr 2007; 19(1): 103-14. https://doi.org/10.1017/s1041610206003504.

