Nutrição
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 21/12/2024
Atualização: 21/05/2026
A avaliação nutricional do idoso é fundamental para identificar alterações na composição corporal, prevenir complicações clínicas e melhorar a qualidade de vida. O estado nutricional resulta do equilíbrio entre as necessidades do organismo e a ingestão alimentar. Logo, quando esse equilíbrio é comprometido, podem surgir condições como desnutrição, sobrepeso e obesidade, associadas ao aumento do risco de morbimortalidade.
Na geriatria, a avaliação nutricional deve considerar não apenas aspectos alimentares, mas também funcionalidade, presença de síndromes geriátricas e alterações corporais relacionadas ao envelhecimento.
A avaliação nutricional faz parte da avaliação geriátrica ampla e envolve diferentes etapas clínicas e funcionais. Então, objetivo é identificar fatores de risco nutricional e estabelecer estratégias adequadas de cuidado. Por isso, é vital a investigação de síndromes geriátricas, como:
– Sarcopenia
– Fragilidade
– Disfagia
Além disso, a anamnese deve investigar:
– Perda ou ganho de peso
– Alterações do apetite
– Padrão alimentar
– Demandas metabólicas
– Presença de comorbidades e multimorbidade
– Uso de medicamentos
– Condições sociais
– Preferências alimentares
O envelhecimento provoca mudanças importantes na composição corporal. Entre as principais alterações estão:
– Redução da altura
– Aumento progressivo da gordura corporal com consequente redistribuição
– Redução da massa magra
Além disso, múltiplas comorbidades e o uso contínuo de medicamentos podem influenciar diretamente o estado nutricional do idoso.
O exame físico auxilia na identificação de sinais de desnutrição, perda muscular e alterações da composição corporal. Durante a avaliação antropométrica, podem ser coletadas medidas como:
– Peso
– Altura
– Pregas cutâneas
– Circunferência do braço
– Circunferência da panturrilha
– Circunferência abdominal
– Circunferência do quadril.
Contudo, quando não é possível obter medidas diretas, podem ser utilizadas fórmulas de estimativa para altura e peso corporal. Como com o método de Chumlea para estimativa de altura ou a fórmula de Lorentz para cálculo do peso ideal.
Além disso, a análise das medidas corporais permite calcular relação importantes, como:
– Área de superfície corporal (ASC)
– Índice de Massa Corporal (IMC)
– Relação cintura-quadril
A investigação laboratorial complementa a avaliação clínica do estado nutricional. Os principais exames incluem:
– Albumina
– Pré-albumina
– Transferrina
– Colesterol sérico
– Hemoglobina
– Contagem total de linfócitos
Esses marcadores ajudam na identificação de desnutrição, inflamação e risco clínico associado.
Alguns métodos diagnósticos permitem avaliar com maior precisão a composição corporal do idoso como bioimpedância, densitometria e ressonância de corpo inteiro.
Diversos instrumentos podem ser utilizados para avaliação funcional e rastreio do risco nutricional em idosos. Os mais utilizados são:
– Geriatric Nutritional Risk Index (GNRI)
– Mini-avaliação nutricional (MAN)
– Mini-avaliação nutricional – short form (MAN-SF)
Essas ferramentas auxiliam na identificação precoce de desnutrição e risco nutricional.
Após a avaliação nutricional, é fundamental considerar o acompanhamento dietético e nutricional com um profissional capacitado, especialmente para os idosos, a fim de garantir cuidados adequados e melhorar a qualidade de vida.
Sugestões de leitura:
Acuña K, Cruz T. Avaliação do Estado Nutricional de Adultos e Idosos e Situação Nutricional da População Brasileira. Arq Bras Endocrinol Metabol 2004; 48(3): 345-361. https://doi.org/10.1590/S0004-27302004000300004
Tavares EL, Santos DM, Ferreira AA, Menezes MFG. Avaliação nutricional de idosos: desafios da atualidade. Rev Bras Geriatr Gerontol 2015; 18(3): 643-650. https://doi.org/10.1590/1809-9823.2015.14249