Humor
Por Lucas Rampazzo Diniz
Publicação: 16/01/2024
Atualização: 14/05/2026
A avaliação do humor em idosos é uma etapa fundamental no acompanhamento da saúde mental da população geriátrica. Alterações do humor podem impactar diretamente a funcionalidade, a qualidade de vida e a autonomia da pessoa idosa.
A palavra humor tem origem no latim umor, relacionada à ideia de umidade. Na medicina clássica galeno-hipocrática, acreditava-se que o equilíbrio entre os quatro humores corporais — sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra — era essencial para a manutenção da saúde. Dessa forma, uma pessoa bem-humorada seria aquela com os humores equilibrados.
Atualmente, o conceito de humor refere-se ao conjunto de afetos presentes em um indivíduo em determinado momento. Logo, trata-se de um estado emocional basal, que tende a permanecer ao longo do tempo. Contudo, diferencia-se das emoções (reações de curta duração e alta intensidade relacionadas a alterações corporais), sentimentos (estados afetivos com maior processamento cognitivo, mais prolongados e com poucas alterações fisiológicas) e afetos (capacidade e meio de expressar emoções e humor).
As alterações do humor incluem transtornos depressivos, transtorno bipolar e outros quadros psiquiátricos relacionados.
Apesar de muito prevalente, os quadros depressivos em idosos, alguns sintomas podem se apresentar de maneira diferente quando comparados à população mais jovem. Em muitos casos, observa-se menor relato de tristeza e maior presença de perda de interesse ou prazer nas atividades, conhecida como anedonia.
Além disso, outros sintomas são frequentes:
– Alterações do sono
– Perda de apetite
– Fadiga
– Isolamento social
– Pensamentos de morte
– Redução da funcionalidade
O reconhecimento precoce desses sinais contribui para um diagnóstico mais rápido e para uma melhor abordagem terapêutica.
Por fim, para o acompanhamento da saúde mental da população idosa, existem diversos instrumentos de rastreio e de acompanhamento terapêutico de depressão que podem ser úteis para os profissionais que atendem a esse grupo etário para avaliação mais objetiva e padronizada. Dentre eles:
– Escala de Cornell: foi proposta para avaliação de sintomas depressivos em pacientes com alteração cognitiva.
– Escala de depressão geriátrica (GDS): escala desenvolvida especificamente para a população idosa. Apresenta boa aplicabilidade clínica e é frequentemente utilizado em contextos geriátricos e gerontológicos.
– PHQ-9:instrumento amplamente utilizado para rastreamento de sintomas depressivos na população geral. Sua aplicação é simples e pode auxiliar na identificação de casos que necessitam de avaliação especializada.
Sugestões de leitura:
Baldaçara L, Bueno CR, Lima DS, Nóbrega LPC, Sanches M. Humor e afeto. Como defini-los? Arq Med Hosp Fac Cienc Med Santa Casa São Paulo 2007; 52(3): 108-13. https://arquivosmedicos.fcmsantacasasp.edu.br/index.php/AMSCSP/article/view/449
Devita M, Salvo R, Ravelli A, Rui M, Coin A, Sergi G, Mapelli D. Recognizing depression in the elderly: Practical guidance and challenges for clinical management. Neuropsychiatr Dis Treat 2022; 18: 2867-2880. https://doi.org/10.2147/ndt.s347356
Martins LAP, Silva PJC, Mutarelli SRK. A teoria dos temperamentos: do corpus hippocraticum ao século XIX. Memorandum 2008; 14: 09-24. https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/view/6689